O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Quando a lua apaga a luz… Chega o medo de dormir sozinho

Há por aí em casa quem tenha medo de dormir sozinho? Quem esteja constantemente a aparecer na cama dos pais para um soninho mais tranquilo?

Na verdade, para algumas crianças na hora de dormir existe uma companheira muito desagradável – a ansiedade. Ansiedade por ficarem num espaço sozinhas, por ficarem no escuro, por ficar tudo silencioso, por não quererem adormecer, por surgirem sonhos e pensamentos negativos… Mas principalmente por sentirem que só os pais podem dar a segurança e tranquilidade de que precisam (e todos nós sabemos que o colinho dos pais é mágico).

Porém, aprender a adormecer sozinho e permanecer a noite toda no seu quarto é uma das importantes conquistas no desenvolvimento de qualquer criança.

Porquê?

Porque a sua capacidade de auto-tranquilização é treinada nestes momentos e será levada para a vida. Deixar de depender da ajuda dos pais para se sentirem mais tranquilos, faz parte do processo de autonomização física, emocional e cognitiva da criança que a ajudará a ser um adulto mais seguro e confiante.

Contudo o grau de importância está também equiparado, por vezes, ao grau de dificuldade em adquirirem esta competência. Por isso, deixamos algumas estratégias fundamentais que os pais devem tentar antes de se permitirem desesperar com as noites complicadas.

 

  • Estabelecer rotinas sobre horários de comer, dormir, acordar… É fundamental que a criança sinta previsibilidade quanto ao seu dia para se sentir mais segura, também na hora de dormir.
  • Deve ser introduzida uma atividade física na rotina da criança, pois para além dos vários benefícios físicos, ajuda a diminuir os níveis de ansiedade.
  • Cada criança precisa de ter rotinas específicas associadas ao sono (p.e. um banho que a relaxe, uma história, uma música calma, ir buscar o ursinho especial … )
  • O quarto deve ser um espaço que transmita segurança à criança (p.e. não ter uma cama demasiado grande, ter os seus brinquedos, podemos também estimular a escolha de cores e de alguns objetos que sejam positivos para a criança para que sintam o espaço como seu…)
  • Deve ser retirado tudo o que seja demasiado estimulante 2 horas antes de dormir (como a televisão, tablets ou até comidas e bebidas açucaradas), para que o cérebro comece naturalmente a desacelerar.
  • No momento de ir deitar leve a criança até à cama, não se deite com ela, mas fique por perto para ler a história, cantar ou para relembrarem um momento positivo desse dia.
  • Ao sair deixe a porta entreaberta e uma luz de presença no quarto ou no corredor.
  • Garanta que vai estar por perto se ela precisar e tente sair antes da criança adormecer (permite que a criança tenha um tempo para adormecer sozinha e reforça a confiança dela).
  • Se a criança sair do quarto para ir atrás de si, volte a colocá-la na cama, dizendo-lhe que é aí que deve ficar e que está tudo bem, logo, logo o sono irá chegar (repita este processo as vezes necessárias, tentando não se exaltar e dando pouca importância).
  • No dia seguinte a uma noite bem dormida reforce sempre a criança. Este elogio fará toda a diferença! Se este processo estiver a ser particularmente desafiante, ao fim de três noites consecutivas bem dormidas pode atribuir uma pequena recompensa (p.e. uma atividade que a criança deseje fazer) como incentivo maior!

E agora é hora de dormir que o João Pestana finalmente vem a caminho!

Boas noites!

 

Inês Custódio

Psicóloga na Oficina de Psicologia