O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

O que é que um bebé quer fazer quando está acordado?

É quando está acordado que o bebé conhece o outro, a si mesmo e o mundo. É quando está acordado que estabelece as relações essenciais para o seu desenvolvimento afectivo, que vão determinar a sua capacidade de amar e de se relacionar ao longo da sua vida. É quando está acordado que experimenta e explora o mundo, e apesar de sabermos a importância que o sono tem para o desenvolvimento do bebé, também é quando está acordado que este se desenvolve física, cognitiva e emocionalmente.

Chamamos ao tempo em que o bebé está acordado tempo de actividade. E muitas vezes quando falamos em actividade as mães perguntam o que fazer com um bebé tão pequenino. Aqui ficam algumas sugestões de como aproveitar ao máximo este tempo com o seu filho…

Como dissemos anteriormente, chamamos actividade do bebé a todo o tempo que este passa acordado. Ou seja, a tomar banho, trocar a fralda, vestir, receber uma massagem, conversar, estar no colo, no tapete, na espreguiçadeira, enfim, todo o tempo em que o bebé não está a dormir nem a comer é considerado tempo de actividade. Num bebé recém-nascido este tempo activo é mais curto mas vai aumentando gradualmente ao longo do crescimento.

O que fazer então nesta altura?

Em primeiro lugar, dê colo! Dê mimo, e dê mais colo! O toque é essencial para o bebé, fá-lo sentir-se amado, protegido, seguro. Estabelecer este vínculo afectivo com a mãe e com o pai é fundamental para o desenvolvimento do bebé, especialmente nestes primeiros anos de vida.

Converse com ele, fale, cante, legende o seu dia-a-dia. É muito bom para o bebé ouvir a voz dos pais, que ele reconhece e lhe transmite segurança. Não só é securizante ouvir a voz, como também é importante para o bebé começar a associar sons com rotinas, palavras com actos, o que traz alguma previsibilidade para o seu dia e que acaba por trazer segurança no mundo e no outro. Além da segurança, o legendar o dia desenvolve a linguagem, e nesta altura da vida a potencialidade para aprender línguas está no seu expoente máximo.

Tente não tornar as tarefas automáticas, ou seja, ao trocar 8 fraldas por dia podemos ter tendência para o fazer sem pensar e quase de modo automático, sem conversa, sem contacto. Tente não deixar que isto aconteça e fale com o seu bebé enquanto faz as tarefas rotineiras do dia-a-dia nos primeiros tempos, tornando-as em momentos bons a dois e não em momentos monótonos e desprovidos de relação.

Na actividade na criança já é um momento mais claro para os pais. Mas não diz só respeito à actividade física ou ao ar livre. É também importante lembrarmo-nos da estimulação intelectual e da socialização.

Uma criança precisa de brincar para se desenvolver. Destruir e construir, imaginar, ser criativo, sujar-se, correr, gastar energias, conversar, explorar livremente espaços novos, estar com outras crianças, outros adultos.

Respeite os interesses do seu filho e mostre-lhe interesse pelos mesmos. Converse com ele sobre as coisas que gosta, questione-o, deixe ser ele a escolher e a guiar a brincadeira. Muitas vezes não é preciso um brinquedo, qualquer coisa serve para imaginar e criar uma brincadeira nova.

No nosso dia-a-dia é difícil concentrarmo-nos totalmente e desligar do trabalho e das tarefas domésticas. Tente arranjar um momento no seu dia e sente-se com ele no tapete e brinque sem distracções, sem telemóveis, sem conversas paralelas. Faça com que ele sinta que está focado nele. Que é o vosso momento.

Mas não se esqueça que também é importante deixá-lo estar sozinho, brincar sozinho, explorar e descobrir sozinho. As crianças precisam de autonomia e confiança para explorar o mundo sozinhas. Respeite o espaço dele.

Faça jogos adequados ao seu desenvolvimento que o estimulem intelectualmente. Não o force a brincar ou jogar. Torne essas alturas divertidas e não momentos de stress ou avaliação. É importante que elogie o esforço do seu filho, e não só as conquistas. Ele precisa de ser reconhecido por tentar e não só quando consegue. As conquistas vão-se alcançando com a idade, não exija demais.

E mais uma vez não se esqueça da importância do colo, da conversa, do mimo, do toque. É imprescindível dizer-lhe e mostrar-lhe o quanto gosta dele. Um vínculo afectivo seguro e forte é essencial para um bom desenvolvimento emocional, cognitivo e comportamental. Estes primeiros anos de vida são determinantes na capacidade de amar e de se relacionar no futuro.

 

Leonor Serrano Martins

Psicóloga Clínica especializada no Sono do Bebé e da Criança

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