O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

O meu filho já é um adolescente. E agora?

Tem reparado que o seu filho está mais crescido? Desenvolveu novos interesses, as atividades em família começam a ser dispensadas, os amigos vão ganhando cada vez maior tempo de antena. Um adolescente age como se a orientação dos adultos não fosse bem-vinda ou necessária. Poderá ter alterações de humor e responder de forma mais esquiva. Não estranhe que feche a porta do quarto com mais frequência, como forma de definir o seu espaço e reclamar a sua privacidade. Por difícil que possa ser encarar estas atitudes, tente não levá-las a peito, pois o seu filho gosta de si da mesma forma (embora o demonstre menos vezes).

Nesta fase manter-se ligado ao seu filho pode parecer uma tarefa desafiante e investir numa comunicação eficaz, ter momentos de qualidade em família e gerir as expectativas do que é a adolescência são passos essenciais.

Todas as famílias necessitam de se reajustar, sendo necessário que os pais encarem o filho de outra forma, percebendo que as suas necessidades são agora diferentes, o que por sua vez, implicará alterações na dinâmica familiar. O desafio estará em conseguir um equilíbrio, que permita oportunidades de crescente autonomia, independência e responsabilidade, mas mantendo a ligação emocional, sentimento de segurança e apoio na família. O que podem fazer para reforçar a vossa vinculação?

Partilhem tempo juntos de forma a acompanhar as suas atividades e gostos. Quantos pais às vezes ficam com a sensação que já não conhecem os filhos à medida que entram na adolescência? É importante que manifeste interesse pelas atividades que ele faz, mesmo que não perceba nada do assunto. Quem sabe se a série favorita do seu filho não poderá ser cativante também para si, e constituir uma oportunidade de desfrutarem da companhia um do outro ao assisti-la?

Não desista de o convidar para fazer atividades consigo (passear o cão, ver um filme na TV, correr, passear, etc.), mesmo que ouça “nãos” vezes sem conta. Um dia o seu filho poderá precisar de partilhar algo ou até desabafar, e não ter momentos rotineiros em comum consigo, poderá limitar oportunidades.

As refeições partilhadas são momentos preciosos, como tal tente manter as refeições em família, de preferência com os telemóveis longe da mesa de jantar. Compartilhar atividades, por exemplo, envolverem-se na preparação da refeição, ajuda a construir proximidade e ligação através de trabalho de equipa.

Embora o seu filho possa estar mais evitante, a importância de demonstrar carinho e amor continua a ser de extrema importância para que se sinta amado. Mas atenção, não deverá fazê-lo em qualquer momento ou local, pois ele poderá até mostrar embaraço em público. Um sorriso ou uma festa na cabeça podem servir de gesto de despedida em frente aos amigos.

Ao deitar, o seu filho pode já nem pedir o beijinho de boa noite nem que o aconchegue aos lençóis, mas não dispense a partilha de um carinho e nunca se deitem chateados um com o outro.

Os adolescentes costumam sentir-se incompreendidos e sob exigentes e críticos olhares. Costumam queixar-se que os pais apenas reparam no comportamento desadequado. Reconheça as qualidades e esforços do seu filho, esteja atento ao que ele faz adequadamente e elogie-o!

Lembre-se que o seu filho está a passar por múltiplas transformações (hormonais, físicas, emocionais, sociais) e que poderá ter dificuldades em lidar com tudo isso. Tente ouvi-lo atentamente, sem o julgar, mostre compreensão, confiança, empatia e abertura à negociação com responsabilidades. São atitudes essenciais para que os laços familiares se mantenham fortes e que o seu filho continue a ver os pais como o seu porto seguro.

 

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia