O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

O nosso Bauer

É inevitável olhar para o Bauer e lembrar-me que vai a caminho dos 11 anos de vida. Lembrar-me do primeiro dia em que o vi para ponderar se queria ter um cão e ver o João, trémulo, a convencer-me com o olhar que não iria passar nem mais um dia sem o levarmos para nossa casa. Vivíamos juntos há um ano, o nosso gatinho amarelo Puskas tinha acabado de partir e eu ainda tinha o coração em cacos. Nesse dia, levámos o Bauer para casa. Cresceu connosco e nós com ele.

Vivemos só os três durante 5 anos, mudámos de casa, nasceu o Tomás e dois anos depois nasceu o Pedro. O Bauer acolheu-os sempre com o olhar mais terno do mundo e com a paciência que é reconhecida a qualquer Golden Retriever. Vai a caminho dos 11 anos, o cãozinho mais lindo do mundo. Doce como só ele, ainda malandro para roubar bolachas às crianças distraídas e sempre paciente e sossegado. Na nossa família nuclear, somos 5. Ele faz parte integrante, obviamente, e nem poderia ser de outra maneira.

Nos desenhos dos meus filhos, ele está sempre presente. Vai fazer 11 anos e, por mais que eu não seja pessoa de pensar em inevitabilidades, às vezes lembro-me que um dia, ele vai dar sinal de que não vai estar cá para sempre. Não vai estar na adolescência deles, não vai estar quando eu precisar que alguém me ouça em silêncio e me entenda só com o olhar, como ele faz desse cachorro. Um dia, ele não vai estar. Esse dia ainda vem longe, eu sinto que ainda vem longe. Mas quando o vejo com o pelinho mais branco à volta dos olhos e do nariz e com o olhar azulado da idade, enternece-me tanto que só me apetece abraçá-lo. E abraço mesmo. O meu querido Bauer, cavalo a fingir dos meus pequenos cowboys e sombra quase perfeita do meu João.

 

Tânia Ribas de Oliveira