O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Arroz fingido com frango e legumes e um olá à Inês

Antes de me apresentar, digo-vos que é uma honra estar a escrever no blogue de alguém que eu admiro tanto. A minha Tânia. Alguém com quem tenho o privilégio de trabalhar todos os dias e que me ensina tanto. Agora sim: olá, sou a Inês e começo com uma confissão: sou uma apaixonada por comida.

Confesso. Sempre fui uma miúda “cheinha” se assim se pode dizer…. com uns quilinhos a mais, vá lá. A minha mãe é uma excelente cozinheira e, em minha casa, as horas de refeição eram sagradas com todos à mesa e sempre com bons petiscos. Há uma história que a minha mãe está sempre a contar: com 5 anos, o meu “avô” Zé Maria encontrou-me num café a comer caracóis porque a carrinha do colégio tinha chegado mais cedo e eu estava a fazer tempo! Precisamente por ser uma pessoa que gosta de comer bem e de tudo é que a decisão que tomei, há pouco mais de um ano, tornou-se “dolorosa” ao início: decidi emagrecer uns quilinhos que tinha a mais. Até aqui tudo bem. Fui ter com um especialista com provas dadas, lá conversámos sobre quanto peso queria perder e eis senão quando ouço estas palavras: “acabaram-se os hidratos de carbono e o açúcar”. Pensei para mim instantaneamente: “não vou ser capaz. Nem hoje, nem nunca”. Os hidratos eram, sem dúvida, a minha grande fraqueza. Era daquelas pessoas que se comesse uma torradinha com manteiga a todas as refeições, era muito feliz. Achei que ia morrer à fome, ainda tentei negociar, mas só consegui ficar com o pão ao pequeno-almoço para conseguir matar a saudade que ia ter dos hidratos. Fartei-me das saladas, dos legumes cozidos e salteados logo na segunda semana. A verdade é que esta “restrição” alimentar estava a resultar, eu estava a emagrecer e sobretudo estava MESMO a sentir-me mais leve e muito menos com aquela sensação de estar inchada. Foi aqui que percebi que o meu grande “inimigo” eram os hidratos de carbono. Sem margem para dúvidas porque eu sentia isso no meu corpo. Não quer dizer que seja assim com toda a gente, mas para mim é. O meu chip mudou e pensei que se queria continuar a sentir-me bem e a manter o peso que tinha perdido, tinha de arranjar uma forma de “enganar” o meu apetite! Foi precisamente isso que fiz. Arranjei várias adaptações “low carb” para as minhas refeições. Arranjei forma de fazer esparguete à Bolonhesa sem esparguete, empadão de carne sem batata e até o “fried rice” (arroz frito chinês) que eu adoro, sem arroz! É disto que vão viver as ‘Dicas da Inês’. Não é preciso passar fome, é só preciso ter imaginação. Vamos lá pôr mãos à obra e fazer uma adaptação do meu queridíssimo “Fried Rice”. Apaixonei-me por este arroz em Frankfurt (estranho!)quando já não conseguia ver salsichas, quanto mais comê-las.

Arroz fingido com frango e legumes

O que precisamos:

(P.S.: sou muito prática com quantidades):

– Couve-flor pequena

– 1 peito de frango grande

– ½ courgette

– 1 mão cheia dos cogumelos que mais gostarem

– 2 mãos cheias de ervilhas congeladas

– ½ alho francês

– ¼ cebola

– 2 ovos

– Óleo de côco ou azeite

– Sal q.b.

– Molho de soja q.b.

– Piri-piri moído q.b.

– Gengibre fresco ralado (é opcional porque há quem não goste deste sabor)

Como fazemos:

Não se esqueçam que são receitas com índice baixo de hidratos de carbono, por isso é preciso transformar já o arroz. Vamos fazer “arroz” de couve flor. Em alguns países já encontramos este “arroz” pronto a consumir no supermercado, mas por cá ainda não. A verdade é que é tão fácil de fazer, que dispensamos os já preparados. 

1. Peguem na couve-flor e cortem os pés grossos, ficando só com os florets. Ponham na liquidificadora, triturem até ter um aspecto parecido ao do arroz e reservem. (Atenção, deixem que a couve-flor fique com alguma textura para imitar o arroz);

2. De seguida, preparem uma marinada rápida para o frango. Cortem o frango em cubos pequenos e coloquem numa tigela com molho de soja, piri-pirimoído (se gostarem de pratos picantes) e ralem meio centímetro de gengibre. Não adicionem sal porque o molho de soja já é salgado. Reservem no frigorífico tapado com uma película aderente enquanto preparam o resto dos ingredientes;

3. Entretanto, cortem o alho francês em tiras finas, a courgette em pequenos cubos e os cogumelos da forma que mais gostarem. Eu como gosto muito do sabor dos cogumelos corto em metades.

4. Batam dois ovos numa tigela. Numa frigideira pequena, coloquem os ovos e mexam como se estivessem a fazer ovos mexidos. Reservem.

5. Peguem num wok ou numa frigideira larga e ponham uma colher de sopa mal cheia de óleo de côco(podem substituir, sem problema, por azeite). Salteiem primeiro o alho francês e a cebola. Assim que começar a soltar aquele cheirinho bom e a cebola estiver translúcida, juntem o frango durante mais ou menos uns 3/4 minutos. Assim que estiver a ficar branco juntem a courgette, os cogumelos e as ervilhas. Vão juntando molho de soja a gosto porque é isso que vai dar sabor ao prato. (É muito importante que vão provando o que estão a cozinhar).

6. Deixem mais uns 4 minutos até o frango estar completamente cozinhado e no fim juntem os ovos mexidos. 

7. De seguida, vamos ao nosso famoso “arroz”. É só juntar a couve-flor triturada, saltear por dois minutos… et voilá! Aproveitem este arroz fingidooriental. 

DICA DA INÊS: se comprarem uma couve-flor grande, triturem tudo e guardem no congelador. Ficam com um “arroz” quase instantâneo… e “low carb”!

Esta é uma daquelas receitas que na fotografia não fica muito bem, mas no prato prontinha a comer é uma delícia! Espero que tenham gostado e que voltem para a próxima dica!