O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Rotinas e rituais: amigos da vida familiar

No mundo dos crescidos, pensar em rotinas e rituais pode ser algo que é feito com cara de poucos amigos. Parecem não estimular, dando pouco espaço à criatividade e à novidade, podem ser enfadonhos e repetitivos… A lista de argumentos em seu desfavor poderia ser interminável. Felizmente, a lista de argumentos a favor de rotinas e rituais pode ser bastante mais animadora, revelando grande importância na vida familiar e, particularmente, na vida dos mais pequenos.

Rotinas e rituais são estruturantes.

As rotinas são bastante organizadoras e securizantes.

As rotinas diárias são extremamente importantes ao longo de toda a caminhada de desenvolvimento da criança. Elas proporcionam continuidade, estabilidade e previsibilidade, que são características essenciais para um desenvolvimento saudável. As rotinas também constituem uma base para uma aprendizagem precoce, criando oportunidades para a compreensão do funcionamento do mundo.

As rotinas são importantes reguladores emocionais, pois fornecem conforto à criança. Saber o que vai acontecer a seguir (ida para a escola, hora do jantar, hora de dormir…) propicia às crianças estabilidade psicológica e emocional. A estabilidade e a consistência permitem que a criança se sinta segura – confiando num adulto para lhe proporcionar aquilo de que necessita. Quando ela sente este sentimento de confiança e segurança, sente-se mais à vontade para explorar, brincar e aprender.

Os rituais são outro aliado da harmonia familiar e do fortalecimento de laços afetivos fortes e do sentido de pertença. Eles constituem um meio de atribuir significado à vida familiar e social. São as festas de aniversário, o Natal, as férias passadas no campo com os avós, os almoços de fim-de-semana com a família alargada… Todos os rituais proporcionam à criança molduras onde inserir conteúdos que dão sentido à sua existência no seio de uma família e de uma sociedade.

Que rotinas fazem parte dos vossos dias?

Que rituais caracterizam a vossa vida familiar?

Como imagina se ambas deixassem de existir?

 

Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

Coordenadora Equipa Infanto-juvenil

Oficina de Psicologia