O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Como encorajar uma imagem corporal saudável na adolescência

Numa fase delicada, que é a adolescência, a procura da idealização do “corpo perfeito”, como padrão de beleza, influenciada pelos meios de comunicação, a nossa própria cultura e comparação com os outros, tem como consequência uma insatisfação generalizada dos adolescentes acerca da sua imagem corporal que, por sua vez, afeta fortemente a autoestima e relações interpessoais.

Os pais têm um papel fulcral para que os adolescentes possam lidar melhor com as mudanças na puberdade, com as influências externas a que estão sujeitos, no desenvolvimento de uma imagem corporal saudável, na qual identificam e valorizam os seus pontos fortes, aceitam as suas imperfeições e diferenças, apreciando o seu corpo.

Como pai ou mãe, antes de mais, reconheça que a preocupação com a aparência física faz parte da adolescência. O que para os pais pode parecer algo insignificante, para o(a) seu(sua) filho(a)  pode ser um aspeto de grande importância no seu dia a dia. Por isso, evite criticá-lo(a) e demonstre empatia.

Alguns adolescentes sentem-se desconfortáveis com as mudanças que estão a ocorrer no seu corpo, até têm vergonha e tentam evitar algumas das atividades em que se sentem mais expostos. Ajude a aceitar e a apreciar as mudanças físicas como algo natural. Partilhe o que sentiu quando tinha a idade do seu(sua) filho(a) e não sabia se viria a tornar-se um(a) desajeitado(a) ou “patinho feio”. Isto ajudará a diminuir a sensação de isolamento e a aceitar as mudanças como algo transitório, relativizando a importância das mesmas.

Dê muitos elogios, mesmo que ouça como resposta “Só dizes isso porque és minha mãe/meu pai!”. Elogie outros atributos físicos (como força, velocidade, equilíbrio, energia), bem como o que é por dentro – comente as qualidades de personalidade que gosta no(a) seu(sua) filho(a).

Além disso, crie o hábito de falar de outras pessoas sobre os atributos que vão para além da aparência física.

Alerte para o facto de as imagens que vê nos media serem criadas por equipas de profissionais (estilistas, cabeleireiros, maquilhadores, fotógrafos, técnicos de luz, editores de imagem, etc.), demoram horas a criar e não refletem a realidade como ela é. Informe que há empresas que lucram ao fazer-nos pensar que os nossos corpos são imperfeitos. Por isso, é perigoso compararmo-nos com tais imagens construídas.

A forma como a mãe ou o pai falam sobre a própria aparência é muito importante. Todos nós temos as nossas inseguranças e algo que não gostamos no nosso corpo, porém evite queixar-se constantemente, para não ensinar o(a) seu(sua) filho(a) a ter o mesmo olhar crítico em si mesmo. Seja um bom modelo – ter uma relação saudável com a comida e praticar exercício físico são ótimos exemplos para lhe dar, em prol de um corpo e aparência saudável e sentimento de satisfação com o mesmo.

 

  Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia