O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Ensine o seu filho a lidar com o stress

Desengane-se quem pensa que as crianças vivem sem preocupações e sem stress. Podem não ter contas para pagar ou grandes responsabilidades no trabalho, mas, tal como os adultos, têm exigências diárias e situações que nem sempre correm como esperado.

A escola e a vida social podem ser contextos nos quais a criança ou adolescente se sente mais pressionado. Situações que estejam a ocorrer no mundo (terrorismo, guerra, alterações climáticas, catástrofes naturais, etc.) podem também ser fontes de preocupação.

Como pais, não podemos proteger os filhos das situações que lhes provocam emoções desagradáveis, mas podemos ajudá-los a desenvolver estratégias saudáveis para lidar com as mesmas no dia a dia.

Quando se apercebe de algo que está a incomodar o seu filho, pergunte acerca disso, ou faça uma pequena observação que demonstre que está disponível pra conversar sobre isso (por exemplo: “Pareces chateado com o que o teu amigo”). Tenha cuidado para que o seu comentário não soe a acusação (por exemplo, evite “Então o que foi desta vez? Ainda estás triste por causa duma coisa sem importância?”).

Nem sempre as crianças e adolescentes estão dispostos a conversar sobre o que os preocupa quando os pais os abordam. Respeite isso! Por vezes, uma divertida atividade realizada em conjunto poderá ser o suficiente para o seu filho libertar o stress. Deixe que o seu filho saiba que os pais estão disponíveis para quando ele precisar.

Quando o seu filho quiser conversar, ouça-o com atenção e interesse e evite qualquer tipo de comentário de julgamento, culpa, ou observação sobre o que pensa que ele deveria ter feito na situação que lhe descreve. Deixe-o partilhar as suas preocupações e tente compreender todo o cenário, perguntando “e o que aconteceu a seguir?”.

Seja empático e comente brevemente acerca das emoções que imagina que o seu filho está a sentir. Por exemplo, “Isto deve ter sido muito frustrante para ti”, “não admira que estejas tão preocupado”. Deste modo, o seu filho perceberá que compreende o que ele sente e que se importa com ele, o que é muito importante em momentos de stress.

As crianças mais novas podem ter dificuldades a dar nome ao que sentem. Se o seu filho parece irritado ou frustrado, use estas palavras para o ajudar a aprender a identificar as emoções. Assim estará a trabalhar a consciência emocional, capacidade essencial para evitar que haja “explosões” comportamentais quando as emoções estão à flor da pele, ou seja, para que comportamentos desadequados deem lugar às palavras.

Tente resistir ao desejo de resolver todos os problemas pelo seu filho. Ajude-o a aprender a lidar com as situações desafiadores de forma construtiva, incentivando-o a pensar numa solução para a situação específica que lhe está a causar stress. Assim, estará a promover o papel ativo do seu filho na resolução de problemas.

Mantenha as coisas em perspetiva e não dê demasiada atenção do que o problema merece. Ou seja, saliente que os problemas são temporários e solucionáveis e ajude-o a relativizar as preocupações. Porém, tenha cuidado para não parecer que está a desvalorizar as emoções do seu filho.

Posto isto, verá que após ter sido ouvido e compreendido, o seu filho se sentirá bem melhor. Um abraço pode ser muito reconfortante também. A fim de mudarem de assunto, proponha uma atividade prazerosa em conjunto ou conversem sobre algo positivo.

Como última dica, relembro que a forma como os pais lidam com as suas próprias preocupações, frustrações e contratempos será um modelo a partir do qual o seu filho aprenderá. Tente ver e mostrar o lado positivo das situações quando, como pai ou mãe, reage ao que o incomoda ou preocupa.

Em suma, para preparar o seu filho para saber gerir os desafios da vida, de forma confiante e otimista, ajude-o a desenvolver progressivamente estratégias para lidar de forma saudável com as suas emoções e ser pró-ativo na resolução de problemas.

 

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia