O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Estratégias para deixar de berrar com o seu filho

Se começou a ler este artigo é porque provavelmente está cansado(a) de ter de berrar lá em casa. As dificuldades em fazer-se ouvir, em lidar com as emoções que isso lhe provoca e ter de recorrer aos berros constantemente para que o seu filho lhe obedeça está a provocar-lhe um grande desgaste físico e psicológico. Além disso, também já se apercebeu que não é eficaz a longo prazo, que não traz qualquer benefício construtivo para o desenvolvimento do seu filho e, pior ainda, que está a ter efeitos negativos no ambiente familiar e principalmente na relação com ele. Provavelmente também já reparou que berra quando está mais cansado(a), frustrado(a) ou impaciente.

Acertei? Então, apresento-lhe algumas estratégias para ajudar neste desafio de deixar de berrar com o seu filho. Não terão um efeito imediato, mas com esforço, dedicação e consistência verificará mudanças na gestão das suas emoções e comportamento, e por sua vez, no comportamento do seu filho e na vossa relação.

– Analise o problema. Identifique quais situações da sua rotina com os seus filhos em que costuma gritar com mais frequência. Na hora dos trabalhos de casa? Nos desentendimentos entre irmãos? Quando não cooperam? O que o faz berrar com o seu filho?

– Abandone a crença “o meu filho só me ouve quando eu berro com ele”. Como vimos anteriormente, gritar é contraproducente e não eficaz a longo prazo. Reflita e procure alternativas educativas mais eficazes para ajudar a lidar com o problema sem precisar elevar excessivamente o tom de voz.

– Impor regras e limites é indispensável, mas para serem cumpridos têm de ser claros, coerentes e consistentes. Aplique consequências imediatas perante o comportamento inadequado da criança, ao invés de lhe berrar naquele momento. As consequências devem estar associadas ao comportamento desadequado para que ajudem a criança a responsabilizar-se e a reparar a situação.

– Recorra ao reforço positivo, ou seja, uma recompensa por algo que a criança fez com sucesso. Poderá ser um elogio ou demonstração de carinho, ou uma atividade que goste. Isto implica que esteja atento e valorize o que o seu filho fez bem e é mais positivo e eficaz para que a criança se sinta motivada para repetir o comportamento adequado.

– Ouça o seu filho e recorra ao diálogo. Quantas vezes não deu sequer oportunidade ao seu filho para explicar o que sente antes de berrar com ele? Ao ouvi-lo atentamente e ao conversarem será possível refletir sobre problema.

– O autocontrolo dos pais é essencial. Quando não conseguimos lidar com as emoções, um tom de voz alterado costuma fazer-se acompanhar de palavras cruéis e injustas e até de agressividade física. Na relação pai-filho é expectável que seja o adulto a ser capaz de gerir as suas emoções e a ensinar a criança a fazê-lo.

– Aprenda a acalmar-se. Contar até 10 e respirar fundo ajudá-lo-á a acalmar-se, reduzindo a possibilidade de agir por impulso e gritar.

– Cuide melhor de si mesmo. Reconheça as suas necessidades pessoais e o seu estado emocional. O cansaço, a fome, o stress acumulado contribuem para maiores alterações de humor. Perceba se os gritos constantes são serão reflexo de mau estar psicológico. Se se sentir melhor consigo mesmo, terá mais capacidade para lidar com os desafios parentais.

– Não leve a peito. É comum os pais interpretarem como desafiadores determinados comportamentos dos filhos, porém eles não fazem de propósito para o provocar.

– Relativize o problema. Quando estiver prestes a gritar com o seu filho avalie a importância que aquela situação-problema tem na sua vida e avalie a intensidade da irritação que está a sentir e as consequências da mesma. Provavelmente vai reparar que o que o seu filho fez não justifica uma reação tão intensa da sua parte.

– Peça desculpa. Se perdeu a paciência e berrou com o seu filho, engula o orgulho e peça-lhe desculpas. Vai sentir-se melhor e estará a ensinar uma importante competência à criança.

– Procure ajuda. Se os gritos são a principal forma de comunicar com os seus filhos e não consegue encontrar alternativas para tal, procure ajuda profissional. Um psicólogo poderá ajudar a implementar estratégias parentais mais eficazes e adaptadas à sua dinâmica familiar.

Alterar comportamentos não é fácil, mas é possível! Regular as suas emoções, controlar o impulso de berrar e educar pelo lado positivo ajudará a desenvolver uma relação forte e saudável com os seus filhos.

 

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia