O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Mãe, pai, deixem-me fazer sozinho!

Sei que ainda vos pareço pequeno para fazer muitas coisas, mas não queiram fazer tudo por mim. Também sei que querem o melhor para mim e que seja feliz, e é precisamente por essas razões que vos peço “deixem-me fazer sozinho!”, mesmo que para muita coisa ainda possa precisar da vossa ajuda. Querem saber porquê? Então aqui ficam um bom conjunto de razões:– Ajuda-me a desenvolver a capacidade de tomar decisões (e não é isso que vou ter de fazer à medida que for crescendo?), a fazer escolhas e a assumir as consequências dessas escolhas;

– Torna-me mais responsável e mais facilmente percebo o que é certo e errado;

– Faz-me sentir mais seguro em relação às minhas capacidades, logo fico mais confiante e com uma melhor autoestima;

– Permite que aprenda a resolver problemas e conflitos de forma assertiva;

– Contribui para um bom desenvolvimento emocional;

– Ajuda-me a desenvolver a fala, a motricidade…;

– Até o meu cérebro funciona melhor! Melhora a minha memória de trabalho, o meu raciocínio, a minha flexibilidade para resolver as tarefas e a minha capacidade para planear.

Por isso, se os lençóis ficarem enrolados quando fizer a cama, não faz mal, amanhã farei melhor. Se os botões do casaco estão colocados nas casas erradas, vou vestido de uma forma original para a escola. Se o arroz saltar do prato enquanto tento cortar o bife, também não faz mal, pois eu consigo limpar a mesa.

Vocês não são menos importantes só porque eu passo a fazer coisas sozinho, eu sei que vocês continuam do meu lado e é disso que eu preciso, que me apoiem e incentivem quando não correr tão bem, que me orientem e me proponham novos desafios.

Mãe, pai, o mundo não estão cheio de perigos e de ameaças, mas sim de riquezas, oportunidades e espaços para serem explorados, desde que se cumpram determinadas regras. Se vocês me ensinarem essas regras, eu consigo fazer sozinho!

 

Cátia Teixeira

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia