O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Se está tudo bem, então não há problema

A culpa e a pressão na maternidade -Parte 1

Este texto é dedicado às mães que muitas vezes sentem culpa, por acharem que não estão a fazer tudo como é “suposto” fazer. Dou por mim muitas vezes em consulta a desculpabilizar as mães pois, na verdade, não estão a fazer nada de errado, e acabo por repetir vezes sem conta : “Se o seu filho dorme bem, se se está a desenvolver bem, se é um bebé feliz e bem disposto, então não há problema.”

Cada bebé é único e cada família é única. Não há bebés exactamente iguais. Nem os gémeos, nem os irmãos, nem os filhos das amigas. Cada bebé é um bebé e o que funciona com um pode não funcionar com outro. Não há receitas mágicas que se apliquem a todos. Temos que olhar caso a caso, temos que olhar para o bebé que temos à frente, a sua personalidade, as suas características, a sua história e a sua família. É importante perceber o que resulta para aquele bebé e para a sua família.

É sabido que não é aconselhável ver televisão antes de dormir, que os bebés se devem deitar cedo, que uma rotina calma antes de pôr o bebé na cama, que inclua o banho e uma história, é um dos bons hábitos que promovem uma boa noite de sono. Tudo isto é verdade, para alguns bebés! Até pode ser verdade para quase todos os bebés. Contudo, se o seu filho vê dez minutos de televisão antes de ir para a cama e depois adormece bem e dorme a noite toda, se vai para a cama às 21h30 e dorme o resto da noite tranquilamente, ou se toma banho antes do jantar e depois do jantar vai para a cama sem história ou música e adormece bem, dormindo a noite toda, então não está a fazer nada de errado. Pelo contrário, está a fazer o que funciona melhor para o seu filho e para a sua família.

Se não há um problema no sono do seu filho, então não se preocupe por não estar a fazer aquilo que supostamente é o correcto. O que está a fazer, está a resultar!

E depois, ainda vem a segunda parte da culpa, quando as mães quebram as rotinas: “hoje não dormiu as sestas que devia”, “hoje adormeceu no carrinho”, “hoje ficou acordado até às 23h” “hoje só comeu disparates e foi dormir sem jantar”. Um dia, não são dias! É bom haver rotinas, é bom haver regras, mas também é óptimo quebrar as regras de vez em quando, e fugir às rotinas quando tem de ser. A única coisa que temos que ter em mente é que se saímos da rotina, e não deixámos a criança dormir a sesta que devia ou se se deitou muito mais tarde do que o normal, pode estar mais birrenta, mais agitada, pode não dormir tão bem essa noite, ou pode acordar a meio da noite com fome, e nós vamos ter que ser mais flexíveis, e estar preparados para essas eventualidades. No dia seguinte volta tudo ao normal, mais cansados talvez, mas sem culpas.

A culpa é um sentimento que nasce com a maternidade e parece que cresce e acompanha as mães pela vida fora e por vezes as faz duvidar sobre a sua forma de ser mãe. Mas sobre isso há muito mais para dizer. Deixarei este tema para outro dia.

 

Leonor Serrano Martins

Psicóloga Clínica especializada no Sono do Bebé e da Criança

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