O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Parabéns Pedrinho!

Chorei muito no dia em que nasceste, Pedro. Primeiro com medo, quando me despedi do teu irmão de manhã cedo. Ele foi para a escola com o pai, sem sonhar sequer que iria deixar de ser filho único nesse dia. Ele não sabia, mas sabia eu. Abracei-o, cheia de nós na garganta e a travar as lágrimas à força e disse “até logo, meu amor”. “Até logo, mãe!”, respondeu, com os seus já muito expeditos dois anos e meio. E saiu aos saltinhos de mão dada ao pai, sim, que o teu irmão anda aos saltinhos desde sempre, não é de agora. Chorei muito quando ele saiu, com medo que alguma coisa corresse mal no teu parto e eu nunca mais o visse. Coisas tão parvas, estas e outras, que passam pelo coração das mães. Estive para sair porta fora atrás do Tomás, mas ainda bem que não fui. Fui arranjar-me para te receber, pus-me bonita para o nosso primeiro encontro. O pai voltou e fomos, tranquilamente, para o hospital. Gosto de epidurais para não ter dor, não gosto de epidurais porque me doem e nunca pegam à primeira. Peço sempre para estar acordada, não quero anestesias gerais. Quero ver nascer os meus filhos! Contigo, apesar desta coisa toda, foi mais simples e quando me deitei na marquesa já com a anestesia a fazer efeito, senti-me absolutamente em paz. Estava pronta para te receber, de mão dada ao teu pai que te esperava de sorriso aberto e olhos brilhantes.

Chorei muito no dia em que nasceste, Pedro. Eram 14h30 do dia 7/7/2015 quando choraste pela primeira vez é arrebataste-me o coração nesse primeiro segundo. Nasceste logo bonito, meu bebé. Tão bonito. Estivemos meia hora a respirar em uníssono. Todo o teu corpo, ainda quente, sobre o meu pescoço e as minhas lágrimas. Como é que pude duvidar que te pudesse amar da mesma maneira animal e avassaladora que amava o mano? Já viste, filho? Mais uma coisa parva que passa pelo coração das mães. O coração das mães, esse órgão que mais parece uma orquestra inteira, com espaço para todos os instrumentos e todas as emoções. Os trinta primeiros minutos do teu nascimento ditaram o que foram estes teus dois primeiros anos de vida, seu bebé canguru que nunca se quer descolar da mãe! Foste comigo para a RTP aos dois meses, todos os dias, até completares 5 meses e voares para a creche. Desdobrei-me em mil para estar a 100% em todas as frentes: tu, o mano, o pai, o trabalho, a nossa casa, as minhas hormonas, o meu corpo ainda em profunda recuperação, a amamentação fora de horas. 

Passaram dois anos, filho. Teria feito tudo outra vez, só para não me descolar de ti, meu bebé tão doce. Caprichoso, meigo, feliz, sociável e com tanto sentido de humor. Chamas-me mil e duzentas vezes por dia e, por ti, estávamos colados no “fá” (sofá) o dia inteiro. As tuas mãos entrelaçadas nas minhas e sempre a pedir festinhas. “Na mão, na ôta. No pé, no ôto. Na baguiga.” 

Tu e o mano fazem a dupla mais linda que já vi e, acredita meu amor, o teu irmão é o teu melhor amigo. Quem te protege e guia, que te compreende e traduz. Quem melhor te sabe levar, quem caminha contigo de mãos dadas, rua fora, com o peito a rebentar de orgulho. 

Eu e o pai temos muita sorte. E vocês também. Somos os melhores pais que sabemos ser, dos melhores filhos que poderíamos ter, a verdade é esta.

Hoje é dia de festa! Fazes dois anos, Pedrinho! E, nesse sorriso onde cabe o mundo inteiro, vivem todas as musicas que tu danças, todos os golos que tu marcas, vive toda a Patrulha Pata, a Galinha Pintadinha e as “tóias” de boa noite! A tua gargalhada justifica tudo e hoje, meu amor, o dia é todo teu! 7/7 e o 7 é um número mágico, desde a Antinguidade. Nada é por acaso! 

Parabéns meu amor pequenino! 

Um beijo da tua mamã nessas bochechas maravilhosamente apetecíveis. Dois anos, Pedrinho!