O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Para começar um bom dia, há que ter um bom soninho à noite

O sono assim como qualquer outra necessidade biológica é indispensável para um bom funcionamento. O temperamento e desenvolvimento de qualquer criança vão em muito depender da qualidade do seu sono. Tendo este uma função biológica muito importante uma vez que é responsável pela recuperação das funções mentais e orgânicas de cada um de nós, devemos procurar cria condições para um sono favorável. Não podemos dizer que existe um número de horas específico para cada criança, até porque, à medida que a criança cresce, esse número de horas vai-se alterando. Quando têm aproximadamente cinco a seis anos, e especialmente com a entrada no 1º ciclo, as crianças já não dormem a sesta, e como tal, devem em média dormir nove horas a dez horas durante a noite.Como em todas as outras necessidades, o sono não é exceção, e como tal, haverá sempre crianças que necessitam de dormir um pouco mais, ou pelo contrário, outras não apresentarão essa necessidade de forma tão clara. O sono influencia as condições físicas e psicológicas das crianças, nomeadamente ao nível do desenvolvimento psicossocial e motor e as consequências associadas à falta de sono, podem ir desde queixas físicas como dores de cabeça, dores no corpo, a queixas mais psicológicas como maior irritabilidade, dificuldades ao nível do processamento cognitivo – concentração, memorização, tempo de reação.

Por vezes conseguimos perceber que uma criança não tem dormido bem quando esta apresenta relatos diretos: “não consigo dormir bem”, “tenho tido sempre pesadelos” ou indirectos tais como: “nunca me consigo concentrar na escola”, “sinto-me sempre canasada/o”. Entre muitos outros, estes podem ser indicadores de um sono pouco reparador.

Devemos procurar estar atentos a fatores que possam sugerir dificuldades ao nível do sono, nomeadamente fatores internos e externos, isto é, se são preocupações ou medos excessivos que se traduzem em estados fisiológicos de maior activação e que por essa razão impedem a criança de ter um sono tranquilo, ou por outro lado, se existe algum outro problema de saúde associado.

No sentido de melhorar o tão desejado soninho, quando compreendemos que não existe nenhuma causa específica de maior, podemos tentar desenvolver alguns comportamentos como:

– Um banho a uma temperatura ideal para a idade da criança antes de ir dormir pode é uma boa forma de relaxar os músculos e diminuir a agitação motora;

– Evitar levar os brinquedos para a cama, porque a criança vai associar o local de dormir a momentos de brincadeira, quando à noite deve procurar descansar. Não significa que a criança não possa levar um boneco com o qual gosta de dormir, aliás próxima dica:

– Se a criança manifestar interesse em dormir com um boneco securizante, como um peluche ou uma almofada especial (desde que o material/textura seja adequado) poderá se uma forma dela tranquilizar e relaxar;

– Evitar que a criança durma por exemplo no sofá ou no colo dos pais momentos antes de ir para a casa, especialmente se a criança é de seguida forçada a acordar para depois se preparar para ir para a sua cama;

– Deve-se evitar alimentos muito doces e líquidos excessivos pelo menos uma hora e meia a duas horas antes da criança ir dormir (para evitar idas a casa de banho, mau estar abdominal etc.)

– Procure evitar estímulos demasiado visuais como a televisão, videojogos ligados no quarto no momento em que decidem que é a hora de ir dormir. Para tranquilizar, se a criança quiser manter uma pequenina luz de presença não haverá qualquer problema, desde que não esteja a iluminar directamente o rosto da criança e quando se trata de uma luz mínima.

 

Cecília Santos