O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Como estimular a autoestima de uma criança ou adolescente

 

É um desejo de todos os pais que os seus filhos cresçam com sentimentos de aceitação, apreço, segurança, valorização pessoal. A autoestima é adquirida como resultado das experiências de vida, a forma como a criança interpreta as situações, as relações com os outros, os modelos educativos familiares, pelo que o papel dos cuidadores é muito importante. Na primeira infância, os pais são a principal referência para a criança e a forma como interagem com ela, como demonstram afeto e o que dizem sobre ela é determinante para a forma como a criança se vê. A partir dos 8 anos, as crianças têm não só uma ideia de si, mas também de um EU ideal que gostariam de atingir, começando a autoavaliar-se nos vários domínios da sua vida (escolar, social, física, pessoal).

Há várias atividades que os cuidadores da criança ou adolescente podem ir fazendo ao longo do desenvolvimento para promover uma autoestima saudável. Vejamos algumas dicas:

– seja muito específico quando fala sobre os comportamentos do seu filho, evitando generalizar para a criança enquanto pessoa. Por exemplo: ao invés de “és mal comportado” diga “tiveste um comportamento desadequado”.

– ajude a criança a reconhecer os desafios que conseguiu ultrapassar com sucesso, bem como as mudanças positivas que realizou. Por exemplo, “quando mudaste de escola tiveste muitas dificuldades em comunicar com os colegas da escola nova e entretanto já fizeste novos amigos”; “ficavas muito preocupado com os testes e agora já és capaz de controlar a ansiedade”, etc.

– ajude-o a recordar-se de situações positivas nas quais se sentiu contente e orgulhoso pela forma de agir ou em que tenha tido reconhecimento social. Por exemplo, alguém o felicitou por algo que fez; alguém lhe pediu um conselho; pediu desculpas a alguém; etc.

– ajude a criança a ver o lado positivo das situações que, no princípio, são negativas. Não se pretende incentivar o conformismo, mas sim valorizar os aspetos positivos mesmo que não sejam perfeitos.

– façam uma lista com as características de personalidade, qualidades e defeitos, observem-nas sem criticar ou julgar, promovendo a aceitação de si mesmo tal como é.

– incentive a identificação e valorização de pequenas coisas positivas que o seu filho faz diariamente.

– ajude-o a pensar nos sucessos de forma gradual, em vez de o fazer em forma de êxito-fracasso, acabando por ficar frustrado por pensar que não consegue aquilo a que se propõe.  Estabelecer pequenos passos para alcançar os objetivos desejados é essencial.

– não compare o seu filho com outras crianças com o objetivo de o motivar para algo, pois geralmente tem um efeito contrário. Em vez disso, relembre-se que ele não tem de ser igual aos outros e se valorizar as caraterísticas únicas e especiais que ele tem, o seu filho também o fará.

– também as crianças e adolescentes têm uma voz crítica dentro deles, pelo que pode ajudar o seu filho a filtrar os pensamentos negativos e a não acreditar neles, uma vez que em nada o ajudam a sentir-se melhor.

Ir construindo uma boa dose de autoestima é um recurso valioso para ultrapassar com sucesso os desafios do futuro e prevenir problemas psicológicos.

 

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia