O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Consultório: respostas da semana

O Nosso T2 Blog - Consultório - Respostas da semana da Dra. Filipa

Inês Calisto: Bom dia Dra. O meu filho tem 18 meses, nasceu prematuro de 34 semanas e tenho a sorte de me ocupar dele durante o dia em casa. O problema é que não sei se por não conviver com crianças ele ainda não fala nem mostra grandes sinais de começar… É caso para me preocupar ou está ainda na média? Pois toda a gente me diz que está muito atrasado na fala!! Obrigada!!!

Olá Inês,

Para já não vejo que haja grande motivo de preocupação, mas é importante estarmos atentos a vários sinais – se já tem linguagem, ainda que imperceptível (discurso com entoação), se percebe o que os pais lhe dizem, cumprindo pequenos recados (“vem cá”, “vai buscar o boneco”), se consegue fazer-se entender, nomeadamente quando quer alguma coisa (água, comida). A socialização com outros pode ser benéfica, sobretudo com quem não o conheça tão bem como os pais, não conseguindo “adivinhar” todos os seus desejos. Os próprios pais devem tornar mais difícil a tarefa de se explicar, obrigando-o a tentar utilizar as palavras. Também é muito importante que lhe mostrem livros com imagens, repetindo várias vezes o nome dos objectos. Em princípio com estas medidas devem começar a ver resultados em breve. 

Também é importante falarem com o médico assistente para perceber se estará tudo bem com a audição – se as crianças não estão a ouvir bem é frequente haver um atraso da linguagem. Espero que corra tudo bem.

Inês Oliveira: Boa noite doutora! Tenho um filho de 6 meses e já foi introduzida a alimentação sólida. Aos 5 meses introduzimos sopa e fruta ao almoço, ao lanche a papa e o resto das refeições são amamentação. Aos 6 meses introduzimos a sopa e a fruta a noite. Amamentação de manhã e à noite. A questão é que o meu filho não gosta de beber água… Já tentei pelo biberão, já tentei pelo copo anti-gota e não tem sido fácil… Rejeita sempre… A única forma que tenho de ele beber água é dando a colher! Tenho receio que sejam poucos os líquidos que ele esteja a ingerir até porque noto que as fezes dele, tem vindo a ficar cada vez mais sólidas. Obrigada pela ajuda!

Olá Inês,

 Esta recusa da água acontece com alguns bebés, mas habitualmente é transitória. O facto de ter os cocós mais sólidos pode estar apenas relacionado com o início da alimentação. Pode para já continuar a oferecer à colher e pode ainda experimentar dar a água que utilizou para cozer a fruta. Não se preocupe, em princípio vai melhorar.

Sandra Vidal: O meu filho tem 6 meses e no último mês tem ido várias vezes ao hospital por causa de uma bronquiolite e 2 otites. Segundo o pediatra, trata-se de uma asma e ele já está a fazer medicação para o problema. A minha questão é se ele, nestas circunstâncias, pode frequentar a creche ou se deve ficar num ambiente mais familiar?

Olá Sandra,

Se a bronquiolite que o seu bebé teve foi grave, nomeadamente se precisou de internamento hospitalar, a probabilidade de voltar a ter um quadro semelhante quando se constipar novamente é grande. Após uma bronquiolite o aparelho respiratório pode ficar mais “reativo” durante algum tempo (até aos 2-3 anos), apresentando estes sintomas de pieira de forma recorrente. Nalgumas crianças verifica-se que existe uma doença alérgica na base destes episódios de dificuldade respiratória (uma asma), noutras é uma situação transitória que resolve completamente com o crescimento. Em qualquer destes casos, é benéfico evitar a exposição a vírus, logo, se houver possibilidade de manter o bebé em casa alguns meses, é preferível. Espero que a situação melhore.

 

Estela Sousa: A minha filha tem quase 3 anos e ainda não fala muito o que posso fazer por ela?Obrigada.

Olá Estela,

Se a sua filha já tem quase 3 anos e fala muito pouco deve ser investigado. Deve levá-la à consulta com o médico assistente e se for necessário, a uma consulta de Desenvolvimento. 

Em primeiro lugar será preciso perceber se está a ouvir bem – terá provavelmente de fazer exames para avaliar a audição. Depois disso poderá precisar de outros exames, de acordo com a avaliação feita na consulta.

De qualquer forma, é sempre fundamental ir estimulando a linguagem. Leia livros com ela, repetindo o nome das figuras, fazendo jogos com palavras. Tente também não adivinhar o que ela precisa/quer, mas deixe que ela se esforce por dizer as palavras quando quer alguma coisa. 

Se está na escola fale com a professora, para perceber como se comporta na escola e se lhe parece que há motivo de preocupação. Se não está ainda na escola, se calhar era importante colocá-la – na escola, o contacto com outras crianças e com adultos que não a conhecem tão bem e não entendem a sua forma de falar pode ser muito benéfico no desenvolvimento da linguagem.

Espero que corra tudo bem.