O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Escolher entre o sim e o não pode não ser a única solução

Já reparou como na educação das crianças utilizamos frequentemente as palavras sim e não?

Como pais, educadores e familiares socorremo-nos do sim para autorizar e o não para proibir algum comportamento. Sem nos apercebermos, são os vocábulos mais utilizados no nosso dia (já sem contar com os momentos em que os repetimos, “já disse NÃO! E não é não!”…)

Já pensou qual é a palavra mais utilizada aí em casa? Ganha o sim ou não?

Não tenha pressa em responder, sugiro até que durante alguns dias esteja atento(a) às vezes que diz sim ou não. Não procure uma conclusão extraordinária sobre se é um pai muito liberar ou muito rígido, se dá muita ou pouca liberdade ao seu filho, procure apenas ter mais consciência dos momentos de relação e da forma como é habitual comunicarem um com o outro. A verdade é que tanto o sim como o não são úteis e têm um peso importante quando utilizados no momento certo, por exemplo:

  • Um sim abre portas, dá certezas e segurança à criança. O sim deve ser utilizado quando aprovamos algo. Devemos, no entanto, ter o cuidado de não dar um sim seguido de vários nãos (“SIM podes fazer pinturas hoje! Mas não pintes a mesa… Não deixes o pincel com cor anterior … “Não espalhes a água … não, não, não…”. Aqui só para nós, quando um sim tem tantos nãos em seguida, quase parece um não…). Por isso um sim deve ser especial, deve dar confiança à criança -“Sim, amanhã podes levar os teus lápis novos!”, conforto – “Sim, fizeste o melhor que sabias!”, segurança – “Sim, é assim mesmo que se faz!”
  • Por outro lado, um não também dá certezas e segurança à criança. É uma palavra importante para impor limites (e limites também dão segurança). Porém, é importante que cada não tenha uma justificação (principalmente para si adulto, perceber qual a função do não) e podemos explicá-la brevemente à criança. Depois é importante mantermos esse não, sermos consistentes, de outra forma não conseguiremos passar o que queríamos.

O objetivo é que um não deixe de ser pronunciado e passe a ser interiorizado pela criança, como uma regra aprendida e adquirida.

Mas o título do texto diz que pode existir outra solução que não as palavras sim e não… e efetivamente, por vezes, poderemos utilizar ainda uma terceira estratégia. Podemos simplesmente devolver uma pergunta à criança – “Se queres pintar o que achas que de deves preparar primeiro?”, “Se comeres tantas gomas o que achas que pode acontecer?”, “Se fores brincar antes dos trabalhos de casa o que achas que vai acontecer?”. 

Questione a criança. No momento certo, as perguntas devolvem responsabilidade ao seu filho, responsabilidade que um sim ou não estão a tirar, dão também maior sentido de autonomia e auto-confiança, pois damos-lhes a oportunidade de procurar resultados/soluções, que de outra forma lhe seriam impostas. E para além disto, em situações mais difíceis e com crianças mais crescidas, é uma forma de abrirmos a porta a uma forma de colaboração, em vez de imposição de regras. Importa apenas termos um cuidado: nem tudo pode ser devolvido em pergunta, nem tudo pode ficar do lado da criança, muitas vezes é importante um sim e um não.

Tem por isso mais um motivo para estar atento à forma como comunica com o seu filho e poderá, de uma forma mais consciente, dar a resposta que ele mais precisa a cada momento e não algo, que muitas vezes resulta do nosso próprio cansaço e urgência em resolver as dificuldades!

Então, entre o sim, o não e a pergunta… escolha o que ajudar mais a criança e não o que for mais rápido ou automático!

Inês Custódio

Psicóloga na Oficina de Psicologia