O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Sabia que a ansiedade gosta de se mascarar?

Ansiedade nas Crianças e Pais Foto O Nosso T2 Blog

Se vir uma criança a fazer birra, a recusar-se fazer o que os pais ou professores lhe pedem, a gritar com os adultos ou a atirar coisas para o chão, o que vai pensar? Provavelmente irá pensar que é uma criança mal-educada, a quem não souberam impor regras, que é uma criança mimada e a quem deixam fazer tudo o que quer. Seria o que pensaria a maioria das pessoas. No entanto, a verdade é que, nalguns casos, todos estes comportamentos escondem algo bem diferente, algo que por norma se associa a um comportamento menos expansivo, mais introvertido… A ansiedade.

É verdade, não é assim tão incomum quanto se possa pensar, uma criança que sente um nível de ansiedade intenso, que não consegue regular, expressar ou mesmo reconhecer, utilizar um comportamento mais agitado e de oposição para manifestar essa ansiedade.

Perante uma situação que deixa uma criança ansiosa (por exemplo, não conseguir realizar uma tarefa escolar, não se conseguir integrar num grupo de pares…), sentindo-se por isso muito desconfortável, ela pode reagir de duas formas: “fugir” ou “atacar”.

A ansiedade manifesta-se de variadas formas, em parte porque se baseia numa resposta fisiológica para lidar com as situações que são identificadas como sendo, de alguma forma, perigosas, e que maximiza a capacidade corporal para enfrentar o perigo ou para fugir dele (imagine que encontrava um leão na rua, o mais provável seria reagir de duas formas, ou fugia ou atacava o leão). Ora, com as crianças, ocorre exatamente da mesma forma, as diferenças são, por um lado, o tipo de situações que a criança pode identificar como perigosas (que podem, e são muitas vezes, diferentes daquilo que um adulto identifica como perigoso) e, por outro, o facto de, principalmente em crianças mais pequenas, poderem ainda não possuir as competências necessárias para lidar com essa emoção de uma forma adequada. E assim a ansiedade, muitas vezes, mascara-se de um comportamento de oposição, escondendo aquilo que a criança realmente sente.

Um dos locais preferidos para a ansiedade se mascarar é a escola, onde as exigências e as expectativas colocadas sobre uma criança podem ser mais elevadas, podendo, por isso, a criança experimentar maiores níveis de pressão e, consequentemente, maior ansiedade, e lá vêm então os comportamentos de oposição. A verdade é que este tipo de comportamento acaba por fazer com que alguns dos adultos de quem a criança mais precisa, e que a podem ajudar a lidar com as suas emoções e a se sentir mais segura, se afastem, se zanguem ou coloquem a criança de castigo, aumentando assim os níveis de ansiedade que a criança sente.

É por isso muito importante estabelecer uma relação de proximidade com as crianças que apresentam comportamentos de oposição, procurar compreender o que realmente se está passar, o que está a provocar o comportamento e ajudá-la a desenvolver estratégias para lidar com as suas emoções e, assim, prevenir futuros comportamentos desadequados.

E lembre-se que é muito importante passar sempre à criança a mensagem de que o que não gosta é do seu comportamento, mas que independentemente deste continuará a gostar dela. Esteja atento e disponível, porque se a ansiedade se mascara é porque precisa de ajuda.

 

 

Cátia Teixeira
Psicóloga Clínica
Oficina de Psicologia