O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Uma “prenda” para as grávidas

 

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Durante uma formação de preparação para o parto em movimento, a formadora questionou-nos a todas se costumávamos falar com as “nossas” grávidas acerca da “prenda” ou “regalo” que a natureza reservou para as grávidas. Após alguns momentos de silêncio na sala em que nos entreolhámos sem saber o que responder, sorriu e respondeu com o ar mais natural do mundo: “A relaxina!!!”

Realmente, esta hormona não se encontra no organismo masculino e no feminino apenas está representada em mulheres em idade fértil, mas acima de tudo encontra-se em grandes concentrações em mulheres grávidas.

E para que serve? Esta hormona atua especialmente em ligamentos que habitualmente são rígidos e confere-lhes mobilidade, elasticidade. E para que serve tal coisa? No início da gravidez, as mulheres apenas a identificam por alguns desconfortos, como sentirem-se mais desastradas a caminhar, como se o corpo não lhes pertencesse, já que os ligamentos da bacia se encontram mais laxos, ou seja, mais moles. Ou seja, efetivamente no início as mulheres até podem ver esta hormona como mais uma coisa que só vem trazer mais uma “chatice” na gravidez, algo mais que não controlamos no nosso corpo!

Mas se falamos em algo que deve ser visto como uma prenda para a mulher grávida, que vantagem vem então trazer nesta altura em que já nos sentimos (pelo menos algumas de nós) suficientemente trapalhonas? A verdade é que vemos a nossa estrutura óssea como algo rígido e a nossa bacia não foge a essa ideia. No entanto, a estrutura da nossa bacia é composta por articulações estreitas que beneficiam imenso com a ação da relaxina, especialmente nos momentos que envolvem o trabalho de parto e o parto, em que o bebé terá de encaixar e passar pelo canal de parto, em que o aumento de milímetros pode fazer a diferença na duração, esforço e dor durante o trabalho de parto e o parto.

O facto de percebermos que a nossa bacia não é estanque e pode mobilizar-se, aumentando os seus diâmetros internos, ou seja, o espaço interior por onde o bebé vai passar, oferece uma nova visão do trabalho de parto. Realmente o bebé tem um espaço delimitado por onde passar, mas se pudermos ajudá-lo no seu trabalho, encontrando maneiras de ir mobilizando a bacia e as suas articulações, isto permite que o bebé possa rodar mais facilmente para encontrar mais fácil e rapidamente a posição mais favorável para a sua descida e nascimento.

Assim, a relaxina é um aliado importante da mobilização, tornando as articulações mais móveis do que em qualquer outra altura da nossa vida e a razão é exatamente essa, que em nenhuma outra altura da nossa vida necessitamos que a nossa bacia alargue tanto por dentro!

Por isso é que a relaxina é uma prenda! E por isso é que devemos aprender a utilizá-la desde o início, a mobilizar e relaxar a bacia desde o início da gravidez, porque só no trabalho de parto e no parto poderá não ser tão proveitoso. Nesses momentos o stresse do desconforto e do desconhecido, a emoção e o nervosismo também despoletam a descarga de outras hormonas, que poderão ser contraproducentes e que conduzem muitas vezes à contração e não permitem o relaxamento. Por outro lado, se for algo que já foi sendo trabalhado e está já inscrito na nossa memória, é mais fácil de reproduzir, mesmo quando sob stresse.