O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

A minha avó Fina

 

Avó Fina Tânia Ribas de Oliveira Foto Diário de uma mãe O Nosso T2 Blog Tânia Ribas de Oliveira

Bom dia!

Ontem fomos visitar a minha avó Fina. A minha avó Rosinda vive na Gafanha da Nazaré, mas a minha avó Fina vive mais perto. Perdemos o meu avô há dois anos e a minha avó mantém intocável a chama do amor. Por ele e por nós. E pela vida também.

Apesar de a memória lhe trocar as voltas aos dias e aos nomes, naquilo que realmente importa nada muda. Que me interessa que às vezes troque o nome aos meus filhos ou me pergunte várias vezes o mesmo, se o nosso abraço tem a legenda da sua voz, sempre ao meu ouvido “És o meu coração.” Sou o seu coração. Somos.

Hoje perguntou-me como conseguia eu viver sem o meu avô, se ele gostava tanto de mim e eu dele. Disse lhe que vivia como ela vivia. Em permanente saudade mas em paz. Disse-lhe também que sabia que ele não gostava de me ver triste, que não quereria vê-la triste e que devíamos viver serenamente a sua partida. Responde-me ela: “Às vezes ainda não acredito. Não dá para acreditar, pois não? Estou sempre a ouvi-lo e quando é de noite, acho que estou a sonhar e não quero acordar para continuar perto dele.”

Foi depois disto que a abracei e ouvi, como sempre, “És o meu coração”. Os meus avó foram casados mais de sessenta anos. Tiveram dois filhos, três netos, dois bisnetos (sendo que o meu avô só conheceu o Tomás) e uma vida cheia de amor. Não estão juntos fisicamente há dois anos, mas continuam a encontrar-se em sonhos. Continuam a conversar. Nos sonhos da minha avó. Só posso ficar comovida quando a ouço; só posso acreditar, como hoje lhe sussurrei, que vão voltar a encontrar-se um dia. Tenho a certeza. “Eu sei, filha. Eu também tenho a certeza.”

És o meu coração. Caramba, não há nada mais bonito de se ouvir. Minha avó.

 
Tânia Ribas de Oliveira