O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Ser agradecido, ser feliz!

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Porque a gratidão vai além da palavra obrigado.

Quantas vezes dizemos às nossas crianças algo como “Já disseste obrigada?”, “Não te esqueças de agradecer…”. Estamos a ensinar aquilo que os nossos pais, avós e familiares nos ensinaram: que é educado dizer obrigado! Mas e se pensarmos que um simples obrigado não é apenas boa educação, mas pode ser uma forma de ensinarmos as crianças a serem felizes?

Na verdade, vários estudos têm mostrado o poder que estar gratos, pode ter no bem-estar e satisfação com a vida das crianças. Por isso, talvez valha a pena refletir melhor sobre o que é isso de gratidão.

Então por gratidão podemos entender um sentimento que acompanha o reconhecimento de algo positivo que fizeram por nós/para nós ou de alguma coisa que simplesmente temos na nossa vida. É uma emoção positiva, que nos faz sentir valorizados e mais felizes. Concretamente nas crianças, estudos mostram que expressar gratidão em pequenos diários ou notas (sobre a escola, amigos ou família p.e.), parece estar relacionado com maior felicidade, empatia e sensibilidade pelas emoções dos outros, tornando mais fácil envolverem-se socialmente com os outros, com a escola e com outros ambientes.

Na continuidade, à medida que crescem e chegada a fase da adolescência, os jovens que conseguem sentir-se mais gratos parecem ser mais felizes e otimistas, com relações mais positivas com os outros e para além disto, apresentam menos sintomas depressivos e de stress, menos comportamentos problemáticos e negativos, menos consumo de drogas, menos ruminação e sentem-se menos solitários.

Assim, conseguir identificar coisas pelas quais podemos estar gratos e conseguir depois expressas essa gratidão (mesmo que por vezes o façamos apenas para nós), parece contribuir para uma sensação de maior ligação ao mundo e aos outros que nos rodeiam. A gratidão é uma das antíteses do sentimento de vazio, porque nos faz ver que estamos “cheios” de muitas outras coisas além do que nos possa faltar.

Ajudar as crianças e jovens neste processo pode ser fundamental para toda a sua vida e mesmo nos momentos mais difíceis, encontrarem mais uma forma de se sentirem melhor.

Então e aí por casa é hábito agradecerem por pequenas coisas?

Se não há, está na hora de treinarem todos. Aqui ficam algumas notas e ideias, mas na verdade, todos os dias à nossa volta há centenas de motivos e formas de estarmos gratos, só têm de descobri-las.

  • Peça ajuda ao seu filho para simples tarefas e nunca esqueça de agradecer. Ajudar faz com que, por um lado, ele consiga dar mais valor às coisas que habitualmente fazem por ele, e por outro, tem a oportunidade de ver como se sente quando agradecem o seu esforço.
  • Escrevam notas de obrigado. Podem ser simples notas, um desenho ou uma carta quando a criança/jovem sentir necessidade de agradecer a alguém. (p.e. a um avô, a um professor que deixará de a acompanhar…). É uma forma de reconhecer e recordar as coisas importantes e boas que vive ou viveu com essa pessoa, para expressar a gratidão.
  • No final do dia, quais foram as coisas que a criança/jovem mais apreciou? Pelo que agradeceria nesse dia? É um bom exercício antes de adormecer, por exemplo (se forem religiosos, pode ser um momento simples de reza em forma de agradecimento e pode mesmo que não o seja, pode ser algo partilhado em família).
  • Por outro lado, não obrigue a criança a agradecer. É importante mostrar o quão felizes as outras pessoas ficam quando agradecemos, é importante perguntar por coisas que a façam sentir grata, mas obrigar a criança a ter um ritual de agradecimento sem que essa seja a sua vontade poderá gerar mais sentimentos de culpa do que de gratidão. Pelo que, é importante que os pais sejam o modelo e que aos poucos a criança vá aprendendo a expressar quando está agradecida.

Hoje fica o desafio da gratidão! Eu agradeço por existirem estudos que, dia após dia, nos mostram formas de sermos mais felizes e fazermos crianças e jovens mais felizes e saudáveis.

E aí em casa o que têm a agradecer por este dia?

 

Inês Custódio
Psicóloga
Oficina de Psicologia

 

Texto adaptado a partir de Layous, K. & Lyubomirsky, S. (2014) e Froh, J. et al. (2014).