O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

E quando o desejado bebé tarda em chegar…

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A infertilidade é um peso grande nos casais hoje em dia. No entanto, ainda há muito desconhecimento que frequentemente se torna um entrave para se conseguir realmente engravidar ou levar uma gravidez a termo.

A definição de infertilidade baseia-se não só na incapacidade de engravidar, como também de conseguir ter uma gravidez de termo. Nos casos em que a dificuldade é engravidar, considera-se infertilidade se o casal tiver uma vida sexual ativa (falamos de uma média de 3 a 5 vezes por semana) sem contraceção durante mais de um ano, sem conseguir engravidar. Também se considera existir infertilidade mesmo que o casal consiga engravidar, no caso de existirem abortos de repetição (mais do que 3 consecutivos).

Já lá vai o tempo em que se considerava que a infertilidade era um problema exclusivo da mulher. Na verdade, na maioria dos casos existe alguma condição em ambos que não propicia a conceção ou a gravidez, sendo que num dos membros a situação será eventualmente mais grave do que no outro. Na verdade, os casos atuais demonstram que a taxa de infertilidade nos sexos masculino e feminino são semelhantes.

Se colocarmos a infertilidade em números, a Associação Portuguesa de Fertilidade refere que a prevalência da infertilidade conjugal ronda os 15 a 20% na população em idade reprodutiva! Reparemos no termo: infertilidade conjugal! Neste momento coloca-se este problema como um problema do casal, sendo que nenhum deles deve arcar com as “culpas” de não conseguirem engravidar, já que em 80% dos casos, existe então infertilidade de ambos os membros do casal.

Na realidade, este é um problema crescente e mais comum nos países industrializados, por vários fatores que se têm vindo a acentuar nos dias de hoje. De facto, podemos facilmente observar na nossa sociedade atual:

  • o adiamento do projeto de maternidade/paternidade (por diversas razões pessoais, académicas, profissionais, económicas, entre outras);
  • a existência de múltiplos parceiros sexuais, muitas vezes com relações sexuais sem proteção contra infeções sexualmente transmissíveis;
  • os hábitos sedentários e o aumento do consumo de gorduras, que podem alterar quer a nossa circulação sanguínea como também a “qualidade” do nosso organismo, e consequentemente do nosso aparelho reprodutor e suas células;
  • hábitos aditivos de tabaco, álcool e drogas, que como bem sabemos têm efeitos nefastos em todo o nosso organismo, inclusivamente na nossa capacidade reprodutora;
  • químicos presentes nos alimentos (como pesticidas ou os alimentos geneticamente alterados), ou libertados no ambiente (águas ou solos contaminados).

Estes são motivos major, mas quer na mulher quer no homem existem causas comuns e diferentes para a infertilidade. Assim, no que respeita às causas ou fatores de risco comuns a ambos os sexos, temos as infeções sexualmente transmissíveis (que podem causar danos irreversíveis em ambos os sistemas reprodutores); idade (um pouco mais) avançada; problemas genéticos, endocrinológicos ou do sistema imunitário. Também os traumatismos ou acidentes podem ter uma influência neste aspeto, assim como o stresse do dia a dia e o do trabalho podem influenciar de modo negativo.

Especificamente para cada sexo:

Homem: alterações dos espermatozoides é a situação mais frequente (pode ser na forma, no número ou da função, entre outras componentes estudadas a nível do esperma masculino); podem existir também alterações a nível hormonal, dos cromossomas, alterações a nível da ejaculação (podendo ser retrógrada ou ausente, por diferentes motivos fisiológicos); lesões do escroto; tumores malignos; alterações anatómicas; causa idiopática (aquela que pelo estudo anatómico e do espermograma não se consegue identificar).

Mulher: alterações hormonais que alteram as ovulações e ciclos menstruais; endometriose; obstrução tubária; muco cervical desfavorável; alterações cromossómicas; patologia uterina; tumores malignos; malformações uterinas; gravidezes ectópicas, assim como interrupções voluntárias da gravidez (aborto provocado – pois podem condicionar cicatrizes uterinas que dificultam a implantação do zigoto); abortos de repetição (pela mesma razão que abordei anteriormente); auto-anticorpos e causas desconhecidas.

É muito importante que o casal fale entre si, já que esta é uma situação muitas vezes desgastante e demasiadamente desconfortável e que pode gerar alguns conflitos em cada pessoa e dentro do próprio casal. Estes conflitos podem gerar problemas na relação se não forem resolvidos e a verdade é que nesta “luta” precisam de estar em sintonia e fortes enquanto casal. Para este efeito e já reconhecendo esta necessidade premente, a Associação Portuguesa de Fertilidade tem à disposição dos casais associados a possibilidade de ajuda mais especializada nestas situações, mediante condições especiais.

Por outro lado e compreendendo que a infertilidade não é um “bicho papão” e que poderá ser minorada com ajuda, é importante que as situações sejam identificadas e corretamente tratadas, para que o casal possa ter a oportunidade de engravidar. Não obstante, estes processos tendem a ser morosos, pelo que assim que seja identificada uma situação de infertilidade o profissional de saúde assistente deverá aconselhar o melhor centro de assistência, que seja certificado e de confiança. Existem neste momento instituições públicas e privadas. Para mais esclarecimentos, podem consultar as listagens, presentes no sítio da Direção-geral da Saúde e da Associação para o Planeamento Familiar.

Noutro momento falaremos das técnicas de procriação medicamente assistida com maior pormenor.