O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Consultório – Respostas da semana

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Hoje trazemo-vos as respostas às questões da semana passada. Vejam o que a Drª Filipa disse sobre as vossas dúvidas! 🙂

Ana Gomes
Boa tarde Dra,
O meu filho deixou a fralda em Julho passado, na altura com 2 anos e 9 meses pois fez os 3 anos no final de Outubro.
O desfralde correu muito bem e practicamente sem descuidos, no entanto nas ultimas semanas começou a fazer cóco nas cuecas. Esta situação acontece quase sempre na escola e quando vai pedir já começou a fazer nas cuecas(às vezes ainda faz mais na sanita outras já não).
Eu noto que ele fica desconfortável com a situação a acaba por reagir fazendo piadas e com algum riso nervoso. Aparentemente não houve nenhum acontecimento que justifique este comportamento.
Será que é uma fase passageira ou deveremos dar alguma importância?
Qual a melhor forma de lidar com esta situação?
Obrigada desde já…

Olá Ana,
Parece-me cedo para estar já a preocupar-se – o seu filho é ainda muito pequenino e estes acontecimentos têm pouco tempo de duração. Pode ter tido alguma alteração ligeira do trânsito intestinal (com cocó mais mole), que torne mais difícil avisar a tempo que tem vontade. Provavelmente na escola fica mais constrangido para pedir para ir à casa de banho, daí os “acidentes” acontecerem sobretudo lá.
Sugiro que falem disso com o médico assistente, para poder valorizar alguma alteração da consistência das fezes e ponderarem a necessidade de fazer um suplemento que ajude a regular o trânsito intestinal.
Podem também pedir à educadora que tente antecipar os acidentes, experimentando colocá-lo na casa de banho a meio da manhã, a seguir ao almoço e a seguir ao lanche (a seguir às refeições é mais provável que ele tenha vontade).
Claro que se a situação não se resolver ou agravar terão de pensar noutras causas, mas para já esperava. Espero que corra tudo bem!

 

Flipa Correia
Boa tarde Dra. Filipa,
Eu e o meu marido estamos um pouco preocupados com o comportamento do nosso filho de 20 meses. Ele está muito dependente do pai, em casa anda sempre agarrado às pernas dele ou pede o seu colo, chora quando ele se ausenta mesmo que seja para outro compartimento da casa e pede-lhe para segurar na mão para brincar dentro de casa. Para além disso, ultimamente quando está ao colo do pai e eu me aproximo para lhe fazer um mimo, por ex., pede para me afastar na linguagem dele. Temo que este comportamento interfira com o processo de autonomização, ele não consegue estar a brincar sozinho por 5 minutos. Gostava de saber a sua opinião. Obrigada.

Olá Filipa,
Nesta fase pode acontecer as crianças mostrarem uma relação preferencial com o cuidador mais próximo. Habitualmente estabelecem a relação de dependência com a mãe mas, nos casos em que o pai, por qualquer motivo, está mais presente, podem fazê-lo com o pai.
Embora não seja já motivo de preocupação, penso que é importante tentarem contrariar essa tendência, sobretudo quando existe a atitude de afastar a mãe.
Tentem que o vosso filho conviva mais com outras pessoas, se possível (avós, tios, primos, outras crianças), para que se vá sentindo mais confiante com essa proximidade. Inicialmente combinem programas em que vocês, pais, também participem e, posteriormente, tentem mesmo que ele fique com outras pessoas sem que vocês estejam presentes. Também me parece importante que faça programas só com a mãe, para perceberem como se comporta na ausência do pai. Provavelmente nessas alturas fica mais próximo da mãe…
Não sei se o vosso filho já frequenta a creche ou qual era o vosso plano nesse sentido, mas a entrada para a escola é frequentemente benéfica nestas situações em que há dificuldade no processo de autonomização das crianças em relação aos pais. Pensem nisso e discutam com o Pediatra que vos acompanha. Espero ter ajudado.