O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Sei que o meu filho está a mentir… O que faço?

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Nalgum momento, todas as crianças já mentiram, pelas mais diversas razões, seja porque querem evitar uma determinada consequência, seja porque não querem realizar determinada tarefa, seja porque querem chamar a atenção, ou porque é uma forma de se sentirem melhor, usando a mentira para camuflar alguma fragilidade… E embora mentir possa, nalgumas situações, ser um comportamento normativo, a verdade é que muitas vezes os pais não sabem como reagir a este comportamento. Partilhamos por isso algumas estratégias que poderão ajudar.

• Tente compreender o que está por trás da mentira. O que terá levado o seu filho a mentir? Ponha-se no lugar dele e tente compreender qual terá sido o motivo.

• Tenha em consideração a fase de desenvolvimento em que o seu filho se encontra. Relativize alguns comportamentos típicos da idade e adeque a sua resposta. Em crianças mais pequenas, algumas mentiras não são reais mentiras, mas sim fruto da sua imaginação ou resultado da sua perspetiva (por exemplo, “o meu avô já é muito velhote, tem quase 200 anos”).

• Não leve a criança a mentir, ou seja, não faça uma pergunta à qual já sabe a resposta. Por exemplo, não pergunte “Já arrumaste o teu quarto?”, quando sabe que a criança ainda não o fez. Ao invés diga “Reparei que não arrumaste o quarto. Vai arrumá-lo agora, por favor”.

• Não exagere. Ao exagerar perante pequenas mentiras, tendo uma atitude demasiado ríspida, pode conduzir a mais mentiras, pois a criança poderá ficar com medo da reação dos pais.
• Não reaja de forma impulsiva. Se reagir sem pensar poderá perder uma boa oportunidade de ajudar o seu filho a não usar a mentira como estratégia.

• Não argumente com o seu filho. Foque-se no que observou e no óbvio e diga que haverá uma consequência por ter observado isso, refira ainda como se sentiu, deixando espaço para que o seu filho fale consigo. Por exemplo “Disseste-nos que estarias em casa de um amigo teu a noite toda, mas o nosso vizinho viu-te na rua às 23h00. Por causa disso não poderás sair no próximo fim-de-semana. Fico preocupada por não saber onde foste.”

• Defina consequências claras e lógicas, relacionadas com as mentiras.

• Confronte a criança de uma forma positiva. “Eu sei que isso não é verdade. Mentir não ajuda nada. Vamos lá resolver este problema”, quando se trata de uma criança pequena que está a fantasiar pode dizer-se “Que bela fantasia imaginaste! Agora diz-me a verdade”.

• A partir dos 6-7 anos, ensine ao seu filho que a liberdade anda de mão dada com a responsabilidade.

• Diferencie o seu filho da mentira. Quando perceber que o seu filho está a mentir, refira-se à mentira e não ao facto de o seu filho ser mentiroso, manifeste preocupação e desapontamento em relação ao comportamento e não em relação ao seu filho, manifestando a sua crença de que o seu filho é bom e capaz de dizer a verdade.

• Modele a sinceridade. As crianças aprendem primariamente por imitação. Se não tem a certeza se vai fazer algo, não diga ao seu filho que o vai fazer de certeza, ou da próxima vez que não quiser atender uma chamada não peça ao seu filho para atender por si e dizer que está a fazer algo quando na verdade não está.

Cátia Teixeira
Psicóloga Clínica
Oficina de Psicologia