O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

O Natal… nesta fase especial da nossa vida!!!

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Parece-me a altura mais indicada para vos tentar ajudar nesta fase natalícia. Gostaria apenas de vos dar algumas dicas e alertar para algumas situações que vos poderão passar despercebidas, mas que podem alterar positiva ou negativamente a vivência desta fase. Primeiro direcciono mais para aquelas que estão à espera do seu próprio natal e de seguida para os pequenotes que estão pela primeira vez inseridos nesta festa.

Para as grávidas

Então para as grávidas… Esta é uma época em que geralmente cometemos alguns excessos. De facto, a maioria das pessoas abusa um pouco nos doces, nas bebidas, na comida em geral… enfim, a nossa alimentação não é, de todo, um exemplo durante esta quadra festiva. Em todo o caso, enquanto grávidas a verdade é que temos de manter algumas regras que se revelam de ouro na manutenção de uma gravidez saudável e de um bom desenvolvimento fetal.

Assim, é importante manter uma boa hidratação durante as festas. Com tantos doces e salgados e considerando que nos encontramos no inverno, a maior parte das pessoas desvaloriza e esquece um pouco que devemos manter uma ingestão de água contínua. Assim, uma grávida deve manter o seu litro e meio a dois litros de água por dia. Um dos problemas que se levanta nesta altura é que temos muito mais vezes disponíveis refrigerantes ou bebidas alcoólicas do que água simples. No entanto, é esta última que deve ser o centro da hidratação. Os refrigerantes não são bons hidratantes, dado que a quantidade enorme de açúcares que contêm só vai concorrer para uma maior concentração de açúcar no sangue, concorrendo para o contrário do desejado (para além de subir os valores da glicémia), aumentando muitas vezes a sensação de sede. Os refrigerantes gaseificados contribuem para a distensão intestinal e para o aumento da azia e da regurgitação, pelo que vão eventualmente aumentar o desconforto que já poderão sentir ao final do dia. As bebidas alcoólicas já sabemos serem fortemente desaconselhadas durante a gravidez, uma vez que interferem de modo negativo no desenvolvimento cerebral do embrião e feto. Assim, um enorme conselho é a ingestão de água durante as festas!! Uma das principais razões é também evitar as contrações uterinas, já que não sendo hidratado, o útero tem tendência a contrair em resposta!

Por outro lado, tentar evitar comer em excesso. No final da gravidez o estômago não te tamanho suficiente para isso, o que vai aumentar mais uma vez a azia e a indisposição à noite ao deitar; por outro lado, durante a gravidez a diminuição da velocidade de trabalho do sistema gástrico leva a ainda maiores problemas em digerir grandes quantidades de comida.

Um outro conselho prende-se com a necessidade de “abrandar”. Muitas das mulheres estão habituadas a “comandar” o natal, a receber uma casa cheia e ter toda a ementa pronta e minuciosamente elaborada, o que frequentemente inclui um grande e pesado trabalho de elaboração, já para não falar da preparação da casa, arrumação e limpeza da mesma. Daí, é fácil compreender que se estiver em repouso, não deverá ser a responsável pelas festividades e que mesmo que a festa seja em sua casa (eventualmente decidido numa tentativa de alívio do trabalho), poderá assumir uma posição de “organização passiva”, sem grande esforço ou trabalho físico, sob pena de passa o seu natal literalmente a tratar do seu natal, mas no hospital. Realmente os esforços físicos intensos assim como o stresse aumentado têm sido associados frequentemente a ameaças ou efetivo parto prematuro, ou algumas complicações que exijam o internamento. Por isso, mais vale passar o natal tranquilo em casa do que no hospital…

Um aspeto também importante relaciona-se com as infeções… na generalidade as mulheres grávidas têm um sistema imunitário menos eficiente do que quando não estão grávidas, o que as torna mais sensíveis a infeções. Assim, temos dois grandes grupos de infeções que preocupam essencialmente nesta fase: as gastrointestinais e as respiratórias.

No que diz respeito às gastrointestinais, não podemos esquecer que no nosso país celebramos muito à mesa, portanto existe sempre grande quantidade de comida. O problema é o acondicionamento da mesma. Especialmente nas doçarias que levam ovos não cozinhados ou na comida que sobra de véspera, a qualidade da comida pode não se manter e condicionar uma alteração gastrointestinal que na grávida poderá ser mais grave, dado que mais rapidamente conduz à desidratação e desequilíbrio hidroelectrolítico. Assim, muita atenção à comida e aos sinais de gastroenterite, sendo que as grávidas não deverão “ficar à espera que passe”, sendo mais prudente procurar ajuda no caso da existência de vómitos ou diarreia persistentes.

Concomitantemente a esta situação, estamos em plena época de infeções respiratórias, assim como de “ajuntamentos”, seja em casas, seja e centros comerciais. Locais fechados e quentes com muita gente é o que mais agrada à bicharada, pelo que a propagação de infeções é exponencial nestas situações! Assim, a evicção destes fatores de risco será a melhor escolha em caso de gravidez.

Para os Pequenos que acabaram de nascer ou têm poucos meses de vida

O que me leva aos pequenos nenucos que acabaram de nascer ou que têm poucos meses de vida… Se o sistema imunitário das grávidas não está a cem por cento, o dos bebés ainda está em desenvolvimento e portanto encontram-se igualmente suscetíveis a infeções (nomeadamente respiratórias). E a verdade é que os bebés parecem ter um íman! Todas as pessoas se aproximam dos bebés e tocam-lhes, muitas vezes após terem espirrado ou tossido ou limpado o nariz segundos antes… Para além disto, uma simples constipação num adulto tem habitualmente consequências muito mais danosas num bebé, podendo inclusivamente condicionar internamentos hospitalares. Assim, por mais que nos custe, os bebés deverão estar mais resguardados nesta época e não frequentar grandes ajuntamentos, mantendo os locais onde vão permanecer arejados e frescos.

Por outro lado e em bebés um pouco maiores, também é importante reforçar a vigilância. Nestes momentos de festa muitas vezes existem mais acidentes nomeadamente relacionados com a ingestão de frutos secos (desaconselhados até aos 3anos pelo risco de engasgamento), ou outros alimentos ou bebidas desadequadas à idade, já que os adultos estão mais descontraídos e muitas vezes aliviam a vigilância aos bebés que se mobilizam de modo mais independente.

As lareiras e o seu fumo também são perigosas para os bebés e crianças. Os locais devem estar arejados para evitar a acumulação de gases nocivos e todos os aquecedores, lareiras, braseiras e similares deverão estar fora do alcance da criança, ainda que se considere que esta se encontra sempre “debaixo de olho”.

Estes são alguns dos conselhos que gostaria de partilhar convosco, para que o natal seja vivido com maior brilho nesta fase tão especial de cada família! Desejo um feliz natal para todos!