O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Ver o bebé durante a gravidez

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Durante a gravidez fazem-se actualmente várias ecografias. Essas ecografias têm diferentes finalidades dependendo da altura e do modo como são realizadas. Algumas são indispensáveis para o adequado seguimento da gravidez, outras servem para reforçar laços emocionais com o bebé ainda dentro do útero.

Falemos primeiro das que se realizam em contexto de seguimento do bem-estar fetal, ou seja, as que são prescritas e/ou realizadas em consulta de seguimento da gravidez. Numa gravidez considerada “normal” ou de baixo risco, habitualmente os profissionais de saúde vão aconselhar/prescrever três ecografias, uma em cada trimestre. Assim, idealmente a sua realização deverá ser: às 11/13 semanas de gravidez; entre as 22 e as 22 semanas de gravidez; entre as 30 e as 32 semanas de gravidez.

Em todas as ecografias o profissional vai identificar o número de bebés, a placenta (a sua localização e estado), a actividade cardíaca, avaliar a quantidade e “qualidade” dos movimentos fetais, valores e tamanhos do corpo (tamanho do fémur, da barriga e da cabeça), quantidade de líquido amniótico. Em cada ecografia vão procurar-se aspectos específicos, que passo a esclarecer.

No primeiro trimestre (11-13 semanas): avalia-se o comprimento do bebé, desde a sua cabeça ao fundo da coluna vertebral, sendo que é o modo mais fiável de corrigir ou confirmar a idade da gestação. Avalia-se também os batimentos cardíacos, verificando a sua normalidade. Mede-se a translucência da nuca, que é uma medida importante no cálculo da probabilidade de trissomia 21 (síndrome de Down). Como é uma ecografia em que se vê o embrião na sua totalidade, o profissional vai verificar a sua anatomia (os membros, a coluna, a cabeça, alguns órgãos internos). No caso de existir uma gravidez gemelar, vai verificar-se se existe um ou dois sacos (se são gémeos “falsos” ou “verdadeiros”). Para os pais esta ecografia é muito importante, já que ainda não são percebidos os movimentos do bebé, o que muitas vezes gera sentimentos de angústia sem se saber o que se passa dentro do útero e se estará tudo bem. Ver o bebé na ecografia traz consigo habitualmente um sentimento de tranquilidade e ajuda a “dar forma” à ideia real de um bebé. Por outro lado, vai ser a única ecografia em que realmente conseguem ver o bebé de uma ponta à outra durante a ecografia, já que é a única em que ele “cabe todo” no ecrã! Assim, é deveras importante que o pai acompanhe se possível a mãe nesta ecografia, ou se tal não for possível, averiguem a possibilidade de gravar a ecografia (a maior parte dos locais onde se realizam estas ecografias tem a possibilidade de gravação em DVD), o que também poderá ser importante para mostrar a irmãos mais velhos e/ou à restante família.

No segundo trimestre (20-22 semanas): nesta ecografia o técnico vai despender algum tempo a avaliar algumas estruturas muito importantes da cabeça e cérebro do bebé. Também a cara do bebé vai ser alvo de atenção, avaliando os olhos, o nariz e os seus ossos, os lábios, os maxilares e a prega da nuca (todas estas na tentativa de identificar ou descartar possíveis malformações do bebé). No tórax o coração vai ser afincadamente avaliado, na tentativa de perceber se a estrutura está completamente formada e se os vasos sanguíneos se encontram formados e nos locais adequados; os pulmões também são alvo de verificação. A nível do abdómen do bebé, o profissional vai observar o contorno da barriga, o fígado, o estômago, o intestino, os rins e a bexiga (igualmente para verificar malformações). É também nesta ecografia que se contam os braços, seus ossos e os dedos do bebé (o que ás vezes é muito difícil, especialmente se o bebé não quiser abrir as mãos ou posicionar-se de modo a ser observado… alguns são “do contra”). Nesta ecografia também se avalia o cordão umbilical, onde está posicionado na placenta, quantos vasos tem no seu interior e se estão a funcionar corretamente. É também nesta ecografia que se avalia com segurança (ou se confirma) o sexo do bebé e como estão a desenvolver-se os órgãos genitais. Como é facilmente compreensível, esta ecografia é de extrema importância no sentido de perceber se os órgãos se formaram e estão aptos a funcionar. É uma ecografia de grande sensibilidade e que muitas vezes é demorada, para que o profissional consiga ao certo avaliar tudo de importante! Assim, apesar de poder não ser tão gratificante pois a maior parte das imagens não são fáceis de decifrar para a maior parte dos pais, é um momento em que a grávida deverá ter apoio, pois a tensão inerente a esta ecografia pode ser demasiado grande para que sozinha o possa enfrentar. Por outro lado, se for o desejo do casal ficar a conhecer o sexo do bebé, este é o melhor momento para a confirmação!

No terceiro trimestre (30-32 semanas): nesta ecografia pretende perceber-se como está o bebé posicionado, se está cefálico ou pélvico (de cabeça para baixo, ou sentado). Além do bem-estar do bebé, avalia-se também o tamanho da cabeça, da barriga e do fémur, para que se possa estimar o peso no momento da ecografia e eventual peso ao nascer. É de lembrar que se trata de uma estimativa, ou seja tem alguma margem de erro (para cima e para baixo), dado que que as máquinas não conseguem pesar o bebé, apenas fazem contas com as medições; por outro lado, ao longo das últimas semanas pode aumentar mais ou menos de peso do que aquilo que se estima… Todos estes parâmetros são importantes para ter uma noção da via de nascimento possível e aconselhável, para além de perceber como está a desenvolver-se o bebé. Esta ecografia poderá ser mais rápida do que as anteriores, e mais uma vez é muito difícil em algumas posições de decifrar as imagens. No entanto, a maior parte dos pais gosta imenso de saber o tamanho do bebé.

De todas estas ecografias gostaria de realizar uma ressalva. Estes momentos são de extrema importância para a avaliação do decurso da gravidez e saúde do bebé. Assim é importante que sejam realizadas por profissionais devidamente qualificados. Assim, a Direção-Geral da Saúde preconiza que devem ser realizadas por médicos com treino e certificados específicos para tal. Assim, ao marcarem as vossas ecografias, certifiquem-se de que vai ser essa a situação, pois a qualidade da ecografia pode ditar aspectos muito importantes da vossa gravidez!

Relativamente às ecografias “emocionais”, a 4D apenas gostaria de esclarecer alguns aspetos. Estas ecografias são momentos de contacto com o bebé, de conhecimento e observação do bebé. Ou seja, servem para ver um pouco melhor os contornos da cara e corpo do bebé, desde que ele se encontre em posição favorável para tal. Para os pais que adoravam “conhecer” o bebé antes de ele nascer é uma forma de dar cara aos pontapés, aos movimentos, à miniatura que não deixa ninguém dormir!!!

No entanto, é importante ter consciência de que não se trata de uma ecografia diagnóstica, ou seja, não serve para identificar qualquer problema, nem tão pouco para os eliminar!

Assim e para terminar, vão e aproveitem ao máximo as ecografias, pois para além de serem importantes meios de vigilância de saúde (as que vos falei no início) são sempre momentos importantes para conhecer um pouco melhor o vosso bebé!