O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Exercício pré e pós-parto

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Ainda no mote do texto anterior, aproveito para falar um pouco acerca do exercício durante e após a gravidez.

A verdade é que durante a gravidez todas as alterações do nosso corpo nos dão a sensação (na maioria das vezes) de que não temos verdadeiro controlo sobre o nosso corpo e tão pouco sobre a nossa (nova) forma física. Estas alterações que podem ser melhor ou pior aceites, também podem ser acompanhados de algumas dificuldades na mobilização. Coisas aparentemente fáceis como apanhar coisas do chão ou mesmo levantarmo-nos da cama podem parecer tarefas hercúleas para as quais temos de pedir ajuda! Para além de nos podermos sentir frustradas, podemos sempre ser alvo de piadinhas dos “nossos mais que tudo”…

A verdade é que a nossa flexibilidade e força física estão claramente afetadas durante a gravidez (mais intensamente no terceiro trimestre), assim como a nossa bacia parece muito “desengonçada”. Por outro lado, podemos ter algumas dificuldades em manter uma postura adequada e confortável, padecendo de desconfortos e dores ao final do dia!

Tudo isto pode ser minorado ou mesmo eliminado com exercício ao longo da gravidez! Existem imensos programas especialmente desenhados para a grávida, considerando as suas particularidades fisiológicas, assim como os cuidados especiais durante a gravidez. Assim, especialmente para as grávidas que não estava particularmente habituadas ao exercício regular, estes serão (ainda) mais adequados. São exemplos a hidroginástica para grávidas, pilates e ioga para grávidas, ou exercícios de fit e relax em centros de preparação para o parto. Muitos ginásios têm vindo a apostar nesta vertente, já que atualmente cada vez mais mulheres querem vivenciar a sua gravidez com o mínimo de desconforto possível e com a maior mobilidade e normalidade que conseguirem!

Ao estudarem estas possibilidades, procurem apenas se as pessoas que vão acompanham estão realmente vocacionadas e preparadas para atender às vossas necessidades especiais, pois se existir alguma alteração ao normal é importante que eles saibam identifica-las e encaminhar-vos da maneira mais adequada.

Já no que respeita ao exercício pós-parto, este tem outras finalidades acumuladas às anteriores. Para além de tentar “devolver-vos” a mobilidade anterior e diminuir eventuais desconfortos, há também o pensamento frequente de “voltar à forma física”. Realmente o que acontece é que na maior parte dos casos, após nascer o bebé estamos com uma forma física alterada, sentimos o abdómen mole e volumoso, embora já não tenhamos nenhum bebé lá dentro. Sentimos ainda as coxas, nádegas e flancos muito mais largos do que antes e nos primeiros meses a coisa parece nunca mais ir ao sítio. Assim e considerando o peso que o aspeto físico neste momento tem na nossa sociedade, as mulheres são cada vez mais pressionadas a ficar lindas e esbeltas o mais rápido possível! Como não é de todo altura de fazer dietas restritivas (especialmente se amamentar), o exercício físico é a alternativa mais eficaz de nos vermos livres destes “extras”.

Cada mulher deve avaliar o momento em que sente verdadeira necessidade de voltar ao exercício, assim como a altura em que sente que é capaz de organizar a sua rotina para tal. No mínimo, deve esperar 1 a 2 semanas após parto vaginal e cerca de 4 a 5 semanas em caso de cesariana (ou consoante indicação do médico, se existirem alterações) para iniciar estes exercícios. Poderão existir algumas situações pontuais em que se recomenda iniciar o exercício apenas após término das perdas hemáticas, cerca de 4 a 6 semanas pós-parto, ou após a consulta de revisão do puerpério (também ela nesse intervalo temporal).

Nesta situação existe clara vantagem (a meu ver) nos programas específicos para recém-mamãs. Por um lado, são programas muito específicos e com objetivos muito definidos para as alterações da gravidez (os “extras” que já referi, mas também as questões posturais e dores lombares também muito frequentes nesta fase). Por outro lado, nestes programas é muito frequente (quase transversal) a possibilidade de se fazerem acompanhar da vossa criança; isto é um ponto muito importante para a maior parte das mulheres, especialmente aquelas que não têm um apoio incondicional e sempre disponível! O facto de ser especialmente abertos à presença de bebés, também vos permite ver que não é só o vosso bebé que vos faz passar as noites em claro, permite uma partilha de experiências entre mães e desabafos partilhados entre quem mais se compreende… mulheres que partilham as mesmas inquietações, medos e inseguranças! Até poderá ser uma hipótese de troca de dicas e truques!

Uma outra enorme vantagem do exercício pós-parto é, sem dúvida, o facto de a mulher poder pensar e dedicar um tempo a si própria! A maternidade é um trabalho a tempo inteiro, que em algumas situações pode ser avassalador e consumir a maior parte da nossa energia e tempo. Podemos muito frequentemente esquecermo-nos de nós próprias, ou pelo menos pôr-nos em segundo, terceiro, quarto… plano. Este pequeno momento vai ser enorme nas nossas vidas e vai-nos ajudar a ter mais energia e boa disposição! Até porque o exercício físico já foi comprovado como um anti-depressivo eficaz, extremamente importante nesta fase, para que mais facilmente as possíveis alterações psicológicas de que já falámos anteriormente!

Por isso, procurem, estudem as vossas situações, e ponham-se a mexer! Só há vantagens!!!