O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Mimo e colo… a mais??!!!??

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Um dos conselhos mais repetidos por muitas das visitas, desde logo do início da gravidez, até à criança ser bem crescida!

“Vê lá, não o habitues ao colo!” ou “isso, mima-o demais e depois vais ver!” são frases que já devem estar bem cravadas na cabeça das futuras ou recém-mamãs. Primeiro que tudo, no serviço onde trabalho todos os dias assisto ao contrassenso que é uma visita que acabou de proferir estas sentenças logo de seguida oferecer-se para pegar e acarinhar o recém-nascido… Então se não é para habituar ao colo mais vale as dezenas de visitas que entram pelos quartos também não darem colo!

Por outro lado, podemos tentar ver toda esta situação aos olhos de um bebé que acabou de nascer… Ora esteve cerca de 40 semanas (mais coisa menos coisa) dentro da barriga da mãe, ou seja, ao colo!!! De repente, tiram-no do ambiente que conhece e onde se sente tranquilo (por vezes de maneira abrupta e não isenta de dores) e estão à espera que não ache estranho o desaconchego do berço, a falta da mãe (da sua voz, do seu coração…), o aumento repentino de estímulos (sonoros, tácteis, olfativos ou do palato), a quantidade de gente “estranha” de volta deles a mexer, a tocar, a falar… Cá para mim isto deve ser de loucos e as nossas crianças devem ser realmente muito resilientes e resistentes para sobreviverem a estes primeiros dias. Se pensarmos que o colo da mãe e do pai (as pessoas a quem em teoria estão mais acostumados) é o local que mais fielmente reproduz as condições em que se sentiam mais felizes e protegidos, é natural que mesmo quando estão desconfortáveis ou mais cansados acabem por acalmar ao colo de um de vós e pareça assim que já tem “manha”.

Mas também é possível cansarem-no ainda mais com colo, especialmente se estiver sempre a “saltar de colo em colo”… É pensarem em vocês próprios na dança das cadeiras, em que têm sempre de saltar de cadeira em cadeira… mas desta vez alguém controla isso por si, nem tem noção em que cadeira se vai sentar de seguida, nem quando muda!!

O bebé necessita de perceber que apesar de ter nascido o pai e a mãe estão com ele e continuam a querer protegê-lo e acarinhá-lo. Uma das melhores maneiras de o fazer é mesmo pelo colinho, em que se sente contido e tem estímulos auditivos semelhantes aos de que se recorda. Por outro lado, o toque é um meio de comunicação privilegiado e que promove a vinculação entre o bebé e os seus pais, aspeto que é indispensável para uma vida feliz! Mas podemos deixar a vinculação para outra oportunidade.

O facto de quererem dar colo e mimo ao vosso bebé não é de todo sinónimo de não lhe quererem dar educação. As duas coisas são independentes e podem perfeitamente coexistir. Podem dar imenso mimo e colo ao bebé e ele adormecer de igual modo na caminha dele! Assim como podem dar-lhe mimo e consolá-lo ao colo quando fica frustrado ou após recuperar de uma birra! Pensemos que também nós gostamos de ir para o nosso cantinho ou receber um abraço bem apertado e demorado sempre que estamos mais tristes ou que o mundo nos parece mais injusto! Então se nós somos os adultos e precisamos, porque razão os nossos nenucos que estão a começar a conhecer este “novo mundo”, não hão-de ter essa legítima necessidade?

Acima de tudo a ideia é que cada casal deverá perceber o que é mais importante e a melhor gestão do mimo e da educação … até porque cada vez existem mais estudos e teorias a defender o equilíbrio do mimo e das regras. As crianças aprendem e retêm melhor as regras e qualquer tipo de ensinamento se lhe conseguirmos transmitir antes de tudo um forte sentido de segurança e auto-estima! A verdade é que o colo e o mimo desde muito pequenos são boas estratégias para lhes demonstrar que não estão sozinhos neste mundo e que os pais, acima de tudo os adoram e que isso é um ponto assente.

Por isso, mimo e colo a mais devem ser uma definição própria e individual para cada casal, não imposta por outros de fora. Até porque as experiências pessoais de cada pai/mãe vão sem dúvida influenciar a maneira como tocam e mimam o seu bebé, ou seja, cada um vai compreender de forma diferente o toque.

Apenas para finalizar, ainda não consegui encontrar nenhum estudo que diga efetivamente que o colo “estraga” os bebés; pelo contrário, há inúmeros estudos que referem os efeitos benéficos do toque positivo, do colo e da massagem para o desenvolvimento social, afetivo e mesmo físico e intelectual do bebé. Por outro lado e falando também dos benefícios para os adultos, temos a libertação de hormonas benéficas e de bem-estar num adulto que toca e dá colo ao bebé… Aliás, não é à toa que a maior parte dos adultos tem um ímpeto para dar colo aos bebés! No que respeita aos recém papás é mais uma maneira de conhecerem ainda melhor o seu bebé e sentirem-se mais confiantes. Assim como um momento só vosso, de conhecimento mútuo, já que ainda vai faltar um pouquinho para ele começar a falar!!!!