O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

E quando custa pensar em dizer “adeus” à barriguinha…

dizer-adeus-a-barriguinha-o-nosso-t2-blog

Ao longo da gravidez a mulher passa por uma grande quantidade de adaptações físicas e emocionais que têm como principal objetivo transformar o corpo e a mente da mulher em corpo e mulher de “mãe”. A verdade é que cada mulher passa por essas alterações de modo mais ou menos pacífico, com maiores ou menores dificuldades.

Uma quantidade de fatores podem contribuir para estes processos: o planeamento da gravidez, o desejo ou receio das alterações físicas, o desejo de ser mãe (que pode ser independente do desejo de engravidar) … tudo isto entra em fator de conta para uma melhor ou pior adaptação psicológica à gravidez e maternidade.

De facto ao longo destas 40 semanas (aproximadamente) o nosso corpo e a nossa cabeça sofreram um reboliço de alterações esperadas ou inesperadas, desejadas ou não e com as quais lidamos melhor ou pior. Há mulheres que adoram estar grávidas e têm uma gravidez perfeitamente linear sem alterações ou grandes desconfortos e há outras mulheres para quem a gravidez é apenas um meio para atingir a maternidade e não têm propriamente um enorme gozo em estar grávidas. Ambas as posturas e situações são perfeitamente válidas e não deverão ser tomadas à partida como mais ou menos positivas, já que ambas podem conduzir de igual modo a mães felizes no seu papel de maternidade.

Com a entrada no terceiro trimestre de gravidez vem a necessidade de separação, identificada por alguns autores como a aceitação final e definitiva por parte da mãe de que o bebé é uma pessoa distinta da mãe. Esta é uma tarefa psicológicra muito importante para a mãe, já que apenas poderá separar-se fisicamente do seu bebé de modo positivo (ou seja aceitar o parto como um momento positivo) se anteriormente já se tiver conseguido separar psicologicamente do bebé.

Embora pareça à partida algo lógico, que toda a mãe encare o bebé como alguém diferente de si, chegar a esta fase pode trazer sentimentos muito ambivalentes. Ao mesmo tempo estamos ansiosas com a vinda real de um bebé para os nossos braços, mas a perda de tudo que que adorámos na gravidez inunda-nos de angústia. Se por um lado é fabuloso preparar as roupas, o quarto, as fraldas e tudo o resto para o receber, fazer a mala da maternidade pode parecer doloroso, pois relembra a irreversibilidade do momento do parto. Termos a noção de que o bebé não voltará a ser “exclusivamente” nosso, dentro de nós e sentido permanentemente por nós. Esse privilégio vai desaparecer, mas é necessário que a mulher consiga encontrar dentro de si aquilo que mais anseia por ter o filho cá fora. Conhecer finalmente a sua cara, o seu nariz e os olhinhos a fixarem o seu rosto; poder sentir o toque da sua pele e a sua mão a apertar o dedo da mãe como se nunca a quisesse largar!! Sentir o calor do bebé no seu colo, bem aninhado para dormir (porque ele sabe que aquele é o colo que conhece melhor e que lhe dá mais conforto!

Estas são pequenas coisas em que a mulher se deve fixar e encontrar outras pequenas (grandes) coisas que a façam ansiar por ter o seu filho nos braços. Regra geral nesta fase da gravidez tentamos imaginar de modo mais consistente como será o bebé, quer em termos físicos quer emocionais. Também aí os bebés adoram pregar-nos partidas, já que o bebé imaginário (aquele que a mãe imagina durante a gravidez) poderá ser completamente diferente do bebé real, o que pode dificultar ou ajudar a este processo no pós-parto.

Acima de tudo não deverão fugir destas dúvidas, deverão sim expô-las a alguém com quem tenham muita confiança e que vos oiça sem recriminações. Tenham consciência que é uma situação perfeitamente normal, mas que deverão tentar resolver convosco próprias antes do nascimento, sob pena de um sofrimento mais prolongado e de não conseguirem disfrutar do momento mágico que o parto pode ser!

Para os pais, compreendam que as mulheres nesta fase estão (ainda) mais sensíveis! Apressá-las ou repreendê-las ou desvalorizar as queixas delas pode dificultar esta situação ou fazer com que a mulher se retraia e pense que algo se passa de errado consigo. Apoiem-nas e tentem mostrar-lhes o que de bom vem de seguida… sem falar nos mimos extra que têm de continuar… agora e no pós-parto!!!