O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

A mãe, o pai, o bebé… e o casal???

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Antes de haver um bebé há, na maior parte das vezes, um casal (qualquer que seja a sua tipologia). Então como e onde fica esse casal após o nascimento do filho? Sabemos, adivinhamos, ou fazem questão de nos avisar de antemão o quanto a nossa vida se vai alterar em termos de rotinas de sono, organização da casa e do tempo, gestão de prioridades, alterações corporais, entre outras.

Todos os nossos amigos, familiares e outras pessoas (mais ou menos próximas) nos transmitem essas dificuldades, repetindo fórmulas e estratégias que pensam ser preciosas ajudas para que os pais consigam cuidar da melhor forma da sua criança.

E os conselhos desdobram-se e multiplicam-se … mas todos têm o seu alvo maioritariamente nos assuntos dos cuidados e educação da criança, ou na melhor forma de gerir a casa e a forma física da mãe, ou a alimentação de todos os membros!

Já para não falar que a partir do momento em que ficamos grávidos toda a sociedade nos passa a tratar como “pais”, esquecendo todos os nossos outros papéis, ou sobrepondo este novo aos anteriores.

A verdade é que, tal como se espera que voltemos ao trabalho ou aos nossos restantes papéis, é mais do que lógico que temos de nos voltar a concentrar na nossa vida de casal… Parece que nunca a descurámos, mas se pensarmos bem, depois de o bebé nascer, estamos tão concentrados em manter o bebé cheio de comida, a dormir descansado, limpinho e feliz que nem temos tempo ou disponibilidade mental para pensarmos em muito mais coisas. A verdade é que cuidar de um bebé (e outras crianças se as houver!) é um trabalho a tempo inteiro e absorve muitas das nossas energias, tempo e também as nossas conversas. Quando damos por ela já não sabemos bem quando foi a última vez que estivemos a conversar com aquele que era o nosso “mais que tudo” antes de sermos abalroados com o amor incondicional e avassalador dos nossos filhotes. Assim, quando fazemos um esforço, vemos que já passou uma semana, um mês… por vezes até mais desde que tivemos um momento verdadeiramente “a sós” (e atenção que não estou a falar de relações sexuais apenas!!!). Sim, é verdade que o sexo após a gravidez pode ser um assunto sensível, mas a verdade é que talvez o seja ainda mais se não conseguirmos refletir na falta que faz ao casal lembrarem-se mutuamente o que os fez estarem juntos nesta caminhada atribulada que é constituir uma família. E a verdade é que por vezes basta uma hora a passear à beira mar, ou a beber um café, comer um gelado… a dois, a conversar e a partilhar sonhos e não apenas as peripécias da criança.

Conversar é o ponto-chave. A partilha de sentimentos, dificuldades e sucessos é uma base sólida que muitas vezes consegue ajudar a transpor eventuais barreiras ou destruir mal entendidos. Se nos mantemos em silêncio, o outro não vai perceber que estamos demasiado cansados e precisávamos mesmo que fosse ele(a) a fazer o jantar, adormecer o bebé ou apenas a ouvir as dúvidas existenciais que assaltam qualquer mãe/pai nesta fase. Riam-se juntos das dificuldades, das fraldas mal mudadas ou da sopa na testa; partilhem estratégias! As dificuldades até podem ser comuns! E depois falem de vós… que têm saudades das noites de cinema ou daqueles dias em que não tinham a responsabilidade de fazer jantares, sopas ou de estar em casa a horas. Por vezes abdicar destas situações pode ser mais difícil apenas para um de vós, o que não quer dizer que o outro não tenha direito a desabafar e tentar reivindicar um pouco mais de tempo/atenção para si! Ter “ciúmes” do bebé, até certo ponto é “normal”! Os irmãos mais velhos têm, os pais e mães também podem ter! O ideal é que estas conversas possam surgir num ambiente onde não haja crítica, exigência ou desgosto, para que nenhum dos intervenientes se sinta magoado ou criticado. Claro que o objetivo será o de chegarem a uma conclusão que agrade a todos e que permita a reorganização do tempo para estarem um pouco mais juntos, se for esse o problema!

Estar juntos pode passar como já disse pelo simples passeio (especialmente quando o bebé ainda é muito pequeno ou dependente), mas esses pequenos momentos podem ir sendo estendidos para um jantar, um almoço (aproveitar quando os filhos estão no colégio ou na escola), um concerto, um filme… antes de se tornarem numa noite ou fim-de-semana… tudo dentro dos limites que o casal considerar confortável e que seja exequível (não esquecendo que para alguns casais é difícil terem alguém de confiança para ficar com o bebé pequeno durante tardes, noites, dias…). Às vezes é preciso ginástica e criatividades, mas acaba sempre por compensar!

Acima de tudo não devem sentir-se culpados ou envergonhados por quererem momentos a dois, em casal! Faz parte da vossa saúde emocional, deveras importante para que estejam no vosso melhor para cuidarem do bebé. Por outro lado, os bebés e crianças adoram ver e sentir os pais felizes, por isso só vos vão agradecer! Por isso marquem na vossa agenda e comprometam-se a sair e partilhar momentos! Lembrem-se de que eram um casal antes de existirem os filhos e um dia, quando os filhos eventualmente saírem para formarem a sua própria família, vocês vão querer continuar a ser um casal, portanto também isso necessita de ser trabalhado ao longo do crescimento das nossas crianças!