O Nosso T2, por Tânia Ribas de Oliveira

Como ser um bom padrasto?

 

como ser um bom padrasto

Perceber qual o seu papel na família, educar filhos que não são seus e lidar com possíveis conflitos entre a sua parceira, pais biológicos e os seus enteados, poderá ser uma realidade difícil. É crucial tentar lidar com a situação com paciência e tentar compreender as emoções sentidas por todos os intervenientes.

Seguem-se algumas dicas para se adaptar melhor à situação, ter uma boa convivência com os enteados com vista à construção de um relacionamento saudável e feliz.

Dicas de convivência

– Tenha calma! Por muito grande que seja a sua vontade em se dar bem com o seu enteado, as relações necessitam de tempo para crescer.

– Perceba que para uma criança ter um novo homem na família poderá ser difícil por várias razões. Por achar que o seu pai biológico está a ser substituído; por ciúme da mãe; por pensar que vai “roubar” tempo que passa com ela; ou até porque constitui o fim da sua esperança em ver os pais juntos novamente. Neste sentido, as atitudes e emoções (confusão, zanga, tristeza) da criança poderão ser instáveis nesta fase de adaptação.

– Não utilize brinquedos e presentes para agradar à criança/adolescente. Ao invés disso, dê-lhe atenção, carinho e regras, mostrando que se preocupa com ela.

– Seja um bom exemplo no que respeita a hábitos de vida saudável e valores morais.

– Seja atencioso e interesse-se genuinamente em conhecer melhor a criança/adolescente, as suas rotinas e gostos, não o criticando.

– É natural que inicialmente o seu enteado evite alguns contactos consigo, por isso, respeite o seu tempo, não o pressionando para conversas ou atividades em que não se sente confortável. Mas, progressivamente, passe tempo com ele e ajude-o nas suas atividades (TPC’S, hobbies). Dê-se a conhecer e convide-o para fazer algo divertido consigo (jogos de tabuleiro, ir ao cinema, fazer desporto, etc.).

– Respeite o estilo educativo da mãe, mesmo que não concorde. Não desautorize a mãe, nem crie alianças com a criança para a conquistar. É preferível conversar com a sua parceira sobre o que pensa, tentando chegar a acordo no que respeita às regras familiares, de forma a ambos serem consistentes.

– Não tente competir com o pai da criança e explique ao seu enteado que não pretende ocupar o lugar de ninguém.

– Evite falar mal do pai ou da mãe dele e fique distante de conflitos familiares.

– Se tiver filhos, tente tratá-los com equidade e não faça comparações com os seus enteados nem demonstre favoritismo.

Esta nova fase será desafiante, mas lembre-se que trará momentos gratificantes e de grande aprendizagem para toda a família.

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia